Do site Controvérsia
O texto discute a questão geopolítica implicada no debate sobre a fome e o meio ambiente. Critica o atual modelo agrário/agrícola de uso dos recursos naturais, afirma ser este um modelo de desenvolvimento econômico das regiões temperadas que tem sido imposto com um alto custo ecológico, cultural e político para o mundo todo.
Por Carlos Walter Porto Gonçalves
Este modelo tem se colocado em confronto com o conhecimento patrimonial, coletivo e comunitário característico de populações com racionalidades distintas da racionalidade atomísticoindividualista ocidental com graves riscos à segurança alimentar. Analisa as conseqüências socioambientais do atual modelo agrário/agrícola e os resultados contraditórios do aumento da capacidade mundial de produção de alimentos e o aumento da fome no mundo. Os significados da Revolução Verde a partir dos anos 70; Os impactos socioambientais do agronegócio nos cerrados brasileiros; A complexidade do uso dos produtos transgênicos. Critica a sustentabilidade ecológica restrita, baseada num realismo político e propõe uma reflexão sobre uma nova racionalidade para o desafio ambiental. Conclui que a fome não é um problema técnico, pois esta não se deve à falta de alimentos mas ao modo como os alimentos são produzidos e distribuidos. A fome convive hoje com as condições materiais para resolvê-la.
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Geografia da riqueza, fome e meio ambiente: pequena contribuição crítica ao atual modelo agrário/agrícola de uso do recursos naturais
Contradições do capitalismo atual
Uma das dificuldades na discussão sobre o desenvolvimento econômico e social brasileiro, tendo por base uma indústria de cadeias produtivas adensadas, consiste em entender as contradições do capitalismo atual.
Alguns supõem que o bloqueio à industrialização teria se acentuado. As economias nacionais teriam perdido força e os mercados teriam deixado de ser nacionais, passando a ser globais, e crescentemente liberalizados. Com a fragmentação ou segmentação das cadeias produtivas, o padrão de concorrência teria mudado radicalmente. O núcleo tecnológico da produção teria permanecido nas empresas e países centrais, enquanto os sistemas produtivos menos relevantes teriam sido transferidos para os países periféricos.
Nos países centrais, os investimentos teriam seguido padrão peculiar, com a concentração dos mercados e a monopolização das técnicas, através de alianças estratégicas, fusões e aquisições. Na periferia, os investimentos diretos estrangeiros teriam buscado menores custos,
principalmente do trabalho.
No México e em vários países asiáticos, incluindo a China no inicio de sua industrialização, isso teria originado indústrias montadoras, ou maquiladoras. O êxito da industrialização só teria ocorrido porque algumas dessas economias – em particular a chinesa – tiveram a capacidade de adensar suas cadeias produtivas.
Exceção que desmente a suposição de que as economias nacionais teriam perdido força. E coloca a todos diante da necessidade de sair da economia e entrar na economia política, para explicar porque algumas economias, em particular a chinesa, tiveram tal êxito, aproveitando-se da fragmentação e segmentação das indústrias dos países capitalistas avançados. Como já previa o velho Marx, o alto desenvolvimento das forças produtivas tendia a acentuar a queda da taxa média de lucro, ou das margens de rentabilidade, obrigando o capitalismo a tentar
aplainar o mundo, através da disseminação de seu modo de produção.
Isto é, globalizando-se, para aproveitar a força de trabalho barata dos países ainda agrários, e arrancar uma mais-valia que compensasse aquela queda, ao mesmo tempo em que, contraditoriamente, promovia sua desindustrialização relativa. A situação para o capitalismo central se complicou porque em alguns países a globalização não foi enxergada apenas como ameaça, mas também como oportunidade para uma industrialização que combinasse abertura e desenvolvimento soberano.
A maior parte dos países que adensaram suas cadeias produtivas, o fizeram aplicando políticas de recepção de investimentos estrangeiros diretos em que era aceita a instalação inicial de maquiladoras, mas também era exigido que elas fossem acompanhadas de transferência de tecnologias.
No caso da China, além dessas exigências, ela impôs às empresas estrangeiras investidoras outros três itens: ficarem inicialmente restritas a cinco zonas econômicas especiais e a 14 portos abertos, estabelecerem joint ventures com empresas estatais chinesas, e destinarem toda a sua produção para o mercado externo.
Em outras palavras, garantiu que suas estatais se modernizassem e transferissem
as novas tecnologias para o interior do país, evitou a concorrência estrangeira no mercado doméstico por algum tempo, e entrou no mercado internacional na garupa das multinacionais estrangeiras. Ou, dizendo de outro modo, assimilou a liberalização, usando-a como instrumento de competição contra as próprias empresas e países centrais.
A partir de meados dos anos 1990, quando a China ampliou a abertura de seu mercado interno para as empresas estrangeiras, suas empresas nacionais, inclusive as novas empresas privadas, já tinham musculatura tecnológica suficiente para concorrer com as multinacionais estrangeiras, tanto no mercado doméstico, como no mercado internacional. Tudo isso explica, em parte, porque a economia da China teve mais sucesso do que a dos demais países que adotaram políticas soberanas diante da globalização.
Em países em que a globalização não foi tomada como ameaça, como nos casos extremos da Argentina e da Grécia e, em menor escala, do Brasil e diversos outros países da América Latina, África e Europa, o ponto central a destacar não reside em que a maior parcela da indústria
permaneceu estagnada e desatualizou-se tecnologicamente, justamente no momento em que teve início a nova revolução tecnológica.
Embora isso tenha ocorrido, o ponto nodal consiste em que grande parte da indústria privada adquirida por empresas estrangeiras foi desativada, para não concorrer com seus segmentos em outros países de maior lucratividade, muitas das estatais foram privatizadas e subordinadas a interesses externos, e os principais ramos industriais tornaram-se
oligopólios.
Essa situação foi evidente no Brasil do período neoliberal, em que a abertura comercial e a apreciação da moeda nacional funcionaram como máscaras para o desmonte e desnacionalização da parte nacional do parque produtivo do país e, num segundo momento, para a ação da concorrência externa intensificar aquilo que hoje se proclama como
especialização regressiva, perda dos setores mais avançados tecnologicamente, esgarçamento das cadeias produtivas, e desindustrialização, levando a uma crise econômica, social e política
sistêmica, da qual ainda não saímos.
Diante dessa herança neoliberal, com dados inequívocos de especialização regressiva e desindustrialização, e de perda de segmentos tecnologicamente avançados, a questão chave que se coloca é retomar a industrialização através de reformas mais profundas na estrutura econômica, inclusive aproveitando algumas das experiências
dos países que enfrentaram as ameaças e contradições da globalização, mas tiveram a capacidade de adensar suas cadeias produtivas.
O atual desdobramento da crise capitalista apresenta novas ameaças, mas também oportunidades para os países atrasados avançarem industrialmente, inclusive como forma de proteção ante as crises cíclicas do capital, que existem, apesar das negaças. O capitalismo
das forças produtivas mais desenvolvidas ainda tem a possibilidade de sobreviver, reduzindo a tendência de queda das taxas médias de lucro, porque pode investir em países mais atrasados. Depende destes fazer com que o capital aceite a imposição de transferir altas tecnologias e
associar-se a empresas estatais e privadas nacionais, criando novos competidores. Tudo isso embute perigos dos mais diversos tipos. Mas,quem vive livre deles?
sexta-feira, 27 de abril de 2012
1ª SEmana da CAatinga do IFSertão-PE, campus Floresta, é marcada por apresentação de trabalhos, visitas técnicas e palestra
quinta-feira, 22 de março de 2012
Casal comemora Semana da Água com ações na capital e no interior

Atividades são desenvolvidas para conscientizar a população
A Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) está desenvolvendo ações na capital e no interiro para comemorar a Semana da Água. Nesta quinta-feira (22) – Dia Mundial da Água -, a empresa realiza trabalho de conscientização nas Unidades de Negócio de Maceió (Jaraguá, Farol e Benedito Bentes) e nas Unidades do interior (Leste, Agreste, Sertão, Bacia Leiteira e Serrana).
Uma equipe da UN Jaraguá montou uma tenda no calçadão do Comércio, Centro de Maceió, onde distribui materiais educativos (revistas, folders, folhetos e copos de água envasada da Companhia). Idêntica atividade é realizada pela UN Farol, no shopping Farol, em frente ao JÁ (Central de Atendimento ao Cidadão).
Já a UN Benedito Bentes realiza palestras sobre como evitar o desperdício de água, uso do lençol freático e a preservação dos mananciais. Segundo a gerente em exercício da unidade, Valquíria Oliveira, essa conscientização acontece periodicamente com os líderes das comunidades.
As Unidades de Negócio Agreste, Serrana, Sertão, Leste e Bacia Leiteira também desenvolvem ações voltadas para a preservação do meio ambiente.
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Casal lança campanha interna em defesa do meio ambiente

Lançamento ocorre na Base Descentralizada do IMA, na Apa de Santa Rita
A Casal lançou, na manhã desta quinta-feira (16), a campanha “Consciência sua, atitude nossa”, que tem o objetivo conscientizar o público interno (funcionários) para os cuidados com o meio ambiente. A campanha é coordenada pela Assessoria de Marketing e Relações Institucionais (Asmar), contando com a colaboração de diversas unidades da Companhia.
O lançamento ocorreu durante passeio à lagoa Mundaú, numa parceria com o Instituto do Meio Ambiente (IMA). Participaram do evento diretores da Casal, assessores, superintendentes, gerentes de Unidades de Negócio e multiplicadores, bem como representantes do IMA.
Na ocasião, o presidente da Companhia, Álvaro Menezes, disse que “a campanha tem foco na mobilização, conscientização e engajamento de todos (funcionários) no processo de preservação dos nossos mananciais e do ambiente onde vivemos”. Ele agradeceu ao IMA pela oportunidade concedida à Companhia de fazer o lançamento da campanha numa das unidades do órgão, no caso, a Base Descentralizada da Apa de Santa Rita, à margem da lagoa Mundaú.
Por sua vez, o vice-presidente Osmar Lisboa, de Gestão de Serviços de Engenharia, enalteceu a iniciativa, demonstrando sua importância para a Casal. A supervisora de Controle Ambiental, Valeska Cavalcante, também se manifestou na oportunidade, salientando que a campanha partiu da necessidade de envolvimento de mais pessoas com o meio ambiente.
Ao final dos pronunciamentos, a assessora de Marketing e Relações Institucionais, Rejane Mércia, apresentou a campanha e fez a distribuição de kits com material promocional (camiseta, viseira, chaveiro e copo retrátil). Em seguida, o grupo da Casal assistiu a uma exposição de técnicos do IMA sobre o projeto “Navegando com o meio ambiente” e participou de um passeio ecológico pelas ilhas da lagoa Mundaú.
A campanha “Consciência sua, atitude nossa” será disseminada em todas as Unidades de Negócio da Companhia, conforme cronograma abaixo:
CRONOGRAMA DE LANÇAMENTO DE CAMPANHA INTERNA
DATA HORÁRIO LOCAL RESPONSÁVEIS
29/fev – Manhã – UN Sertão – Rejane, Marcela, Elane
Tarde – UN Bacia Leiteira – Rejane, Marcela, Elane
07/mar – Manhã – UN Serrana – Rejane, Marcela, Valeska
Tarde – UN Agreste – Rejane, Marcela, Valeska
12/mar – Manhã – UN Leste, UN Benedito Bentes – Andreiza, Elane, Francisco
14/mar – Tarde – UN Farol, Gemem, Arquivo/Gesmet – Valeska, Fátima, Vivianne
16/mar – Tarde – UN Jaraguá, Geroc/Getin – Josefa, Andreiza, Fátima
19/mar – Manhã – Gesup, Sede – Vivianne, Francisco, Josefa
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Alunos do IF Sertão-PE participaram de aula de campo em Alagoas
A Geografia Física nos condiciona a vivenciarmos paralelamente com a teoria estudos sistemáticos sobre a distribuição dos biomas brasileiros em regiões de grande avanço urbano e degradação ambiental. Neste contexto, Alagoas e mais especificamente Palmeira dos Índios nos proporciona esse olhar crítico sobre os avanços tecnológicos, a expansão de latifúndios, demarcação territorial e a produção do espaço geográfico através da ocupação.
Estes aspectos evidenciaram a necessidade de um conhecimento mais amplo e definido sobre os diversos aspectos físicos, históricos e sociológicos que propiciaram a ocupação desordenada do solo no município de Palmeira dos Índios, agreste de Alagoas. Além da diversidade de fauna e flora pudemos direcionar os estudos em um foco de vital importância que é a estrutura social vivida pela comunidade nativa da etnia Xucuru-Kariri que contextualiza todo um processo histórico e sociológico da região.
Os alunos do primeiro ano do ensino médio integrado, Informática e Agropecuária, do campus Floresta, participaram no mês de Outubro, de uma aula de campo, in loco, na mata da cafurna, região de mata atlântica e área de aldeia indígena da etnia Xucuru-Kariri no município de Palmeira dos Índios. Logo após a visita, os alunos participaram de uma palestra no Campus III da Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL) com o Professor Adelson Lopes autor do livro intitulado “Mata da Cafurna: ouvir história, contar memória”. Durante toda Vivência terão orientação e acompanhamento dos professores João Luiz, Carlos Pita, Rosângela Brito e Tiago Sandes .
O objetivo deste estudo é proporcionar aulas práticas de conhecimento sobre os aspectos físicos, históricos e sociológicos na transformação da paisagem através da ocupação do solo e na constituição das lutas dos povos brasileiros.
Para o professor de Geografia, Tiago Sandes, as sociedades indígenas e o povo quilombola são retratos da opressão social que assolou o Brasil durante séculos, resultando assim, na perca de suas identidades que representam um legado onde temos a responsabilidade de resgatar. Segundo ele, "um momento de interação e percepção como uma aula de campo interativa, pode possibilitar a construção de uma visão crítica que permeia a responsabilidade tanto para a preservação do meio ambiente quanto às bandeiras de luta empunhada pelo povo brasileiro." afirmou.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Feliz Natal e um próspero 2012!

Um feliz Natal e um ano novo repleto de paz, saúde e sucesso! Um forte abraço e em 2012 estaremos por aqui!Digite aqui o resto do post
sábado, 17 de setembro de 2011
Depois de sete anos campus III da UNEAL sediará 7º EAG

O Encontro Alagoano de Geografia – EAG chega a sua 7º edição e ocorrerá no período de 01 a 04 de dezembro de 2011, no Campus III da Universidade Estadual de Alagoas – UNEAL (Palmeira dos Índios-AL) tendo como tema central: “Novo” mapa da Geografia em Alagoas: Paisagens, Economia e Poder. As atividades programadas serão desenvolvidas através das Mesas Redondas, Conferência, Espaços de Diálogo, Apresentação de Trabalhos, Mini-Cursos, Grupo de Discussão, dentre outros. Convidamos a todos a participar do 7º EAG como um momento de aprendizado e crescimento acadêmico, podem se inscrever, vamos discutir a GEOGRAFIA, vamos discutir a GEOGRAFIA DE GEOGRAFIA.
O Encontro Alagoano de Geografia foi um evento que surgiu dentro da UNEAL, quando esta ainda era FUNESA, o evento foi idealizado pelo Prof. Moisés Calu do curso de Geografia da UNEAL – Campus I. O primeiro ocorreu em 2003 em Arapiraca, no decorrer do processo outros docentes e discentes foram se envolvendo na organização do mesmo. No segundo evento que ocorreu em 2004 em Palmeira dos Índios – Campus III, houve uma participação significativa de estudantes na organização do mesmo. A partir de 2005 o EAG ocorreu na cidade de Penedo, um tremendo desafio para a realização considerando que não havia curso de Geografia no local, portanto faltava ponto de apoio. Há de se ressaltar pessoas que foram importantes na realização desse evento que gerou um marco para outros EAGs, a exemplo do Prof. Odilon Máximo (UNEAL-Campus III) e Prof. Alfredo Carvalho (UNEAL – Campus I) que com suas experiências em organização de evento deram nova face ao encontro, dando a ele uma dimensão não mais local, mas, regional. O evento tinha caráter anual, contudo foi decidido em plenário final que após o 5º EAG o mesmo passaria a ter uma periodicidade bienal. Assim, o quarto EAG ocorreu em Maceió no Campus da UFAL no ano de 2006, e o quinto ocorreu em Arapiraca no ano de 2007. Portanto, o 6º ocorreu dois anos depois (2009) em União dos Palmares (UNEAL – Campus IV) e agora em 2011 teremos a realização do 7º EAG no município de Palmeira dos Índios (UNEAL – Campus III). O Encontro Alagoano de Geografia (EAG) no decorrer das suas seis edições precedentes buscou trazer discussões de temas relevantes e de importância significativa na Geografia contemporânea. Na realização do nosso 7º EAG, teremos a oportunidade de aprofundar assuntos da Geografia de interesse de toda academia e comunidade em geral.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
(Re) Construção da Identidade dos Povos Nativos da Etnia Xucuru-Kariri: Uma Abordagem Antropológica (parte 1)
A discussão proposta reflete a imposição imposta pelos opressores na constituição de uma nova cultura, de forma hegemonia, que é reflexo de um processo histórico em curso. O presente estudo possibilitará a compreensão dos diferentes aspectos que desencadearam a perca da identidade por parte dos povos nativos, em questão os da etnia Xucurú-Kariri, e a dialética imprimida ao longo dos anos. Espera-se que este trabalho, resultante de pesquisas documentais, entrevistas, aprofundamento teórico, visitas, levantamentos de dados geográficos e ocupacionais possam alimentar uma discussão mais ampla sobre as questões que delinearam uma defasagem cultural frente às novas diretrizes apontadas pelo sistema vigente apontando possíveis caminhos na recuperação de sua identidade cultural.
A cidade de Palmeira dos Índios está situada na mesorregião do agreste alagoano e na microrregião 115, zona fisiográfica do sertão alagoano. O município possui uma área de 462,5 Km² tendo uma altitude de 309 m. A região é marcada pela exuberância de suas serras e que influencia o clima tropical megatérmico quente e sub-úmido, do tipo seco. O território possui uma cobertura vegetal de transição entre a zona da mata e o sertão e geológicamente está situado sob o embasamento Pernambuco-Alagoas, apresenta elevadas serras evidenciando o intemperismo químico. A região ainda assenta-se uma vasta rede hídrica, com vales de solos férteis. É esse panorama que enquadra o aculturamento dos povos nativos margeado de disputas não tribais, más sim, por posseiros.
A mata da cafurna, local onde se situa o aldeamento, que significa (cafua) esconderijo, torna-se o objeto de estudo. Os Índios xucuru-kariri são nativos dos cariris, povos que ocupam uma área entre o médio e baixo São Francisco, que se deslocaram para essa região devido às investidas da colonização. Durante esse período, algumas regiões de Pernambuco também foram ocupadas, como Pesqueira, e outros se estabeleceram na Serra da Capela que pertencia à capitania de Pernambuco. A primeira forma de estabelecimento de uma nova cultura se deu por meio da crença. Segundo data de 1770, em documento publicado em 1984, frei Domingos de São José promoveu a catequese dos índios que se estabeleceram nesta região. Esse processo contínuo e ao mesmo tempo regressivo pelo modo de imposição da doutrina cristão e do Deus europeizado, desencadeou, à medida que vários povos do nordeste foram dizimados, uma acentuada perca da sua própria identidade.
A mata da cafurna, local onde se situa o aldeamento, que significa (cafua) esconderijo, torna-se o objeto de estudo. Os Índios xucuru-kariri são nativos dos cariris, povos que ocupam uma área entre o médio e baixo São Francisco, que se deslocaram para essa região devido às investidas da colonização. Durante esse período, algumas regiões de Pernambuco também foram ocupadas, como Pesqueira, e outros se estabeleceram na Serra da Capela que pertencia à capitania de Pernambuco. A primeira forma de estabelecimento de uma nova cultura se deu por meio da crença. Segundo data de 1770, em documento publicado em 1984, frei Domingos de São José promoveu a catequese dos índios que se estabeleceram nesta região. Esse processo contínuo e ao mesmo tempo regressivo pelo modo de imposição da doutrina cristão e do Deus europeizado, desencadeou, à medida que vários povos do nordeste foram dizimados, uma acentuada perca da sua própria identidade.
Ritos religiosos como o ouricuri e o tore, ainda se mantém as duras penas, vestígios esse que perduram até os dias atuais. O processo histórico que culmina na sociedade contemporânea reflete o alto grau de aculturação que vem se perpetuando em vários períodos. A descaracterização da língua, costumes, ritos e do próprio espaço geográfico caracterizam a degeneração dos povos nativos no Brasil. Com o advento do capitalismo e a adoção de políticas expansionistas, a opressão social se desencadeou propiciando um impacto radical na cultura de diversos povos, e no caso do Brasil os nativos tiveram usurpado todo seu contexto orgânico.
Uma abordagem a ser evidenciada é a necessidade de entendimento acerca da cultura como marco da organicidade das diferentes sociedades. Segundo Edward Tylor (1832-1917) no vocábulo inglês Culture, que “tomado em seu amplo sentido etnográfico é este todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, artes, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade”. A partir do que foi expresso por Taylor a constituição cultural está condicionada a ideia de uma oposição de aquisição inata, onde sua transmissão será reflexo do meio. Quando contextualizado o determinismo biológico como linha de investigação, pode-se avaliar a aptidão de um recém nascido, por exemplo, crescer mentalmente com hábitos adquiridos de um outro grupo familiar. Segundo Felix Keesing, “não existe correlação significativa entre a distribuição dos caracteres genéticos e a distribuição dos comportamentos culturais”. Em 1871, Taylor afirma que “a cultura se estabelece como sendo todo comportamento aprendido, tudo aqui que independe de transmissão genética”.
Portando, a dinâmica empreendida entre o processo cultural, de aculturação e consequentemente a perca da identidade é reproduzida no aldeamento da etnia Xucurú-Kariri que se torna um reflexo da construção de uma plataforma que direcione uma busca incessante no resgate do patrimônio cultural marcado pela incessante investida das novas fronteiras culturais.
sábado, 10 de setembro de 2011
Juventude petista conquista participação em todas as instâncias

Renovação foi uma das palavras de ordem no 4º Congresso Nacional Extraordinário do PT. Tanto que a juventude conquistou o direito de participar em no mínimo 20% dos diretórios.
A coordenadora de comunicação da Juventude do PT - JPT, Carla Bezerra, vê a conquista como oportunidade para a renovação da política. “A gente sai daqui com um Partido mais de esquerda, mais militante, mais democrático, muito mais preparado para os desafios que a gente vai enfrentar pela frente. A questão da renovação das direções com a questão da cota para jovem é sem dúvida um avanço para um Partido que vinha envelhecendo”.
Com participação garantida nas próximas eleições dos diretórios do PT, a juventude petista vê a oportunidade para extrapolar as barreiras da sigla. Uma das metas da organização é debater nas ruas a Reforma Política. “Quero aproveitar esse momento para convocar, e mobilizar toda a juventude brasileira do Partido dos Trabalhadores, da base aliada, para vir somar conosco nessa campanha da Reforma Política, porque temos que estar inseridos para discutir com o povo, com a sociedade, com a militância, e com a base, o que nós queremos de melhor, o que nós podemos fazer para melhorar essa questão da Reforma Política que não pode ser pautada só lá pelo Congresso, mas sim pela base, pelo povo, pela juventude, e nós estamos encampando e convocando a todos e a todas, que venham participar desse processo único e momentâneo”, diz o secretário nacional de juventude do PT, Valdemir Pascoal.
O tema da Reforma Política é praticamente um consenso para o debate na juventude petista. Como afirma o coordenador de finanças da JPT, Davi Fernandes, “Saímos desse Congresso fortalecidos, para fazer a disputa da Reforma Política na sociedade, para que cada cidadão saiba o que tem que fazer para mudar esse regime político que tanto reclamam”.
Para a coordenadora de movimentos sociais da JPT, Marccella Berte, o momento é de mobilização. “Acho que a juventude tem que se engajar na campanha pela Reforma Política, defender o financiamento público de campanha, e garantir autonomia política para as mulheres, para os jovens, para os negros, negras e indígenas desse país. A gente precisa avançar na democracia brasileira, aprofundar as mudanças desse país, com uma Reforma Política que garanta mais representatividade”.
Próximos passos
Com a conquista de cotas para a juventude aprovada, o momento agora é de organização, afinal, nas próximas eleições para os diretórios do PT a juventude deve participar. “Nós vamos ter cerca de 18 jovens no Diretório Nacional, isso vai representar a possibilidade de renovação do Partido, de trazer novas pautas, novas formas de diálogo, de fazer política. E nós achamos então que essa possibilidade que se abriu com os 20% é uma grande oportunidade para transformar e repensar o Partido”, diz o presidente do Conselho Nacional de Juventude, Gabriel Medina.
Outra intenção é ganhar as ruas, como afirma a coordenadora de organização da JPT, Vivian Farias, “O PT hoje transformou a vida da juventude, das jovens mulheres, dos jovens trabalhadores rurais, emancipou a condição política da juventude brasileira. E isso que estamos construindo no Partido é o que vamos construir para a juventude brasileira. Não só no parlamento, mas acima de tudo nas ruas, nos movimentos sociais, com muita militância”.
Mas não só ganhar as ruas, e sim assumir cargos eletivos, como sugere a Secretária Nacional de Juventude do Governo Federal, Severine Macedo: “É importante dentro do processo de mobilização fazer uma construção permanente dentro do Partido para que a juventude seja contemplada, e possa estar também nos espaços de participação política do Executivo e do Legislativo”.
(Portal do PT)



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