Milton diante do prédio de geografia e história da USP, onde ingressou por concurso em 1983 (foto: Jorge Maruta/Agência USP)
Numa poltrona do Hotel Nacional de Salvador Milton Santos recebeu um conselho que talvez tenha selado seu futuro. O amigo Aziz Ab'Sáber (foto) acreditava que, como ele próprio fizera, Milton se dedicava demais a questões teóricas. Aconselhou-o a se ater à análise -- estudo de casos e regiões. À questão de Milton sobre que tema abordar, Ab'Sáber deu uma resposta fundamental para a projeção do colega: por que não estudar o centro urbano de Salvador?
Junto a um grupo de universitários e um professor paulistano, Milton empreendeu a pesquisa sobre Salvador, que redigiu e apresentou com sucesso como tese de doutorado na Universidade de Estrasburgo (França) em 1958. De volta ao Brasil, permaneceu na Universidade Federal da Bahia(UFBA) onde fundou o Laboratório de Geomorfologia e Estudos Regionais.
Acompanhou o presidente Jânio Quadros em viagem a Cuba como jornalista e foi nomeado representante da Casa Civil na Bahia, com poder paralelo ao do governador. Despedido da UFBA à época do golpe de estado, Milton esteve preso por 3 meses em um quartel de Salvador, onde agressões físicas quase lhe custaram um olho. Só foi libertado após um princípio de infarto.
Partiu para o exterior a convite de amigos franceses. Por 13 anos lecionou na França, Canadá, Reino Unido, Peru, Venezuela, Tanzânia e EUA. Segundo o próprio Santos, o "exílio voluntário" afastou-o do Brasil -- até então objeto principal de seus estudos, que eram sobretudo empíricos. O
interesse por questões teóricas cresceu até o retorno ao Brasil em 1977.
Um de seus maiores desejos era tornar-se professor na Universidade de São Paulo (USP), onde ministrava aulas como visitante. Ab'Sáber lecionava na USP e garante ter feito o que pôde para satisfazer a vontade do baiano. Milton só ocuparia uma vaga após a aposentadoria de Ab'Sáber.
Ao se aposentar compulsoriamente aos 70 anos -- fato que o contrariou --,tornou-se o primeiro negro a obter o título de professor-emérito da USP. No seu aniversário, geógrafos de vários países participaram de um simpósio organizado pela professora Maria Adélia de Souza, que reuniu os depoimentos na obra Cidadão do Mundo.
Milton Santos faleceu aos 75 anos a 24 de junho de 2001 após uma semana de internação em decorrência de um câncer de próstata diagnosticado em 1994. Desde então, o professor intensificara seu trabalho. No ano em que faleceu publicou O Brasil, obra que considerava síntese de suas idéias. Preparava um livro sobre Salvador, que reuniria pesquisas feitas na juventude e
reflexões recentes. Estruturava também O mundo pós-globalização - o período popular da história.
Milton deixou esposa -- Marie, uma aluna francesa dos tempos da Sorbonne -- e filho -- Rafael, que nasceu pouco após o falecimento do primogênito Miltinho. Na 53a reunião da SBPC, em julho de 2001, estava programada uma homenagem ao professor, mas a idéia foi abandonada com a notícia de seu falecimento. Inconformado, Ab'Sáber convocou alunos e amigos para realizar uma
homenagem improvisada mas emocionante.
Raquel Aguiar
Ciência Hoje/RJ
dezembro/2001
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Cidadão do mundo - Exílio voluntário afastou Milton de questões empíricas e ampliou debate teórico (3ª Parte)
Ecossocialismo: possível consequência futura dos nossos atos de hoje

Do blog Bioconsciente
Caros amigos, coloco aqui questões que possivelmente influenciarão o nosso futuro e o futuro dos nossos descendentes: a intervenção do Estado no modo de vida da população por motivos ecológicos. Por favor, não confundam o que aqui chamo de “Ecossocialismo” (que não é uma ideia minha, mas uma ideia já discutida há algumas décadas) com a intervenção econômica e social realizada pelo Estado conhecida mundialmente como “Socialismo”. Na verdade, o que desejo é demonstrar possíveis acontecimentos futuros que poderão ocorrer se a Educação Ambiental (discutida no post anterior) não for suficientemente eficiente para que nós controlemos a destruição do planeta que vem acontecendo há séculos. Por motivos óbvios é que chamo tanto a atenção para nossos atos individuais, pois estes poderão ser a origem de um futuro menos livre. Colocarei abaixo alguns pontos que penso serem bem possíveis de ocorrer.1 – os filhos – a crise ambiental que estamos vivendo na verdade é fruto de uma crise populacional mundial. Atualmente há mais seres humanos no planeta que sua capacidade de suporte (em ecologia designada pela letra “K”), além disso, a superpopulação mundial hoje vive de forma não sustentável. Pela soma desses dois fatores, no meu entendimento, os Estados deverão impor medidas para o controle de natalidade, o que já ocorre na China. Penso ainda que esta medida deveria ser tomada em países como o nosso antes de sentirmos os impactos que fizeram com que a China tomasse tal medida;
2 – quotas – por motivos palpáveis há a possibilidade de no futuro termos quotas de luz elétrica, de água encanada, combustíveis automotores e quem sabe até de alimentos, isso tudo por um motivo visível: a escassez destes recursos no futuro;
3 – o transporte coletivo – possivelmente por uma questão de emissão de gases poluentes e pela frota incabível de veículos os governos poderão adotar medidas para incentivar cada vez o uso de transportes coletivos. Tais medidas poderão ser pedágios para veículos com apenas um passageiro ou a quota de combustível por veículo, como já foi dito;
4 – apartamentos versus casas – a tendência futura é que cada vez menos as pessoas possam ter casas e cada vez menos as casas sejam grandes, isto porque com uma superpopulação crescente a necessidade de áreas urbanizadas para habitação cresce e com isso áreas rurais passam a ser urbanizadas (isso é notável em cidades em expansão), logo, com o aumento da população, demanda maior de alimentos e redução de áreas rurais agricultáveis as áreas preservadas serão o alvo para produzir alimentos e com isso naturalmente o desmatamento ocorreria. Diante disso, para se evitar ainda mais o desmatamento, casas e mansões num futuro próximo serão escassas;
5 – bens tecnológicos – a aquisição desenfreada de bens tecnológicos é tão impactante que possivelmente também teremos quotas para a aquisição de celulares novos, câmeras, computadores, entre outros, já que atualmente utilizamos determinados bens tecnológicos como se fossem descartáveis;
6 – a questão da obesidade – no futuro é possível que o Estado adote medidas para evitar a obesidade na população por um motivo claro: um obeso consome mais alimento, mais produtos de higiene, mais água, mais tecidos para roupas, etc. Acredito que tais medidas poderão ser no âmbito educacional e clínico para evitar a obesidade e diminuir os índices de pessoas nesta “categoria”, como também medidas mais drásticas como preços de passagens diferenciadas ou tributações diferenciadas para roupas tamanho GG. Acredito que estas seriam as medidas mais difíceis, pois haveria aí um grande dilema envolvendo a discriminação e um bem maior envolvendo toda a população humana.
7 – a dificuldade de fazer festas – imaginemos uma sociedade com quotas para inúmeros bens de consumo. Então quem deixaria de se alimentar bem o mês todo para fazer comemorações, ou quem deixaria de ter seu banho com água quente ou usar sua TV para fazer festas com grandes sons como temos hoje?
É importante dizer que estas são apenas algumas situações futuras que poderemos viver se não mudarmos nossos costumes e que coloco aqui algumas poucas possibilidades de intervenções do Estado, porém sei que estas não acontecerão de uma hora para outra, mas sim gradativamente.
Por fim, gostaria de deixar aqui alguns questionamentos para nós refletirmos um pouco.
Esse é o futuro que você deseja para você e sua família? Você já tinha pensado nessas possibilidades para o futuro? Quais outras medidas poderão ser tomadas de acordo com seu modo de ver? Será que tais medidas realmente são possíveis? O que cada um pode fazer individualmente para evitar este futuro?
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
China supera Japão como 2ª potência econômica mundial

Economia japonesa cresceu 3,9% em 2010, segundo dados desta segunda.
No quarto trimestre, PIB encolheu 0,3%.
A economia japonesa registrou crescimento de 3,9% em 2010, conforme informaram autoridades do governo nesta segunda-feira (14). Com o resultado, o país acabou perdendo o posto de segunda maior economia mundial para a China, que, no mesmo ano, viu seu Produto Interno Bruto (PIB) crescer 10,3%.
"Como nação vizinha, saudamos a rápida progressão da economia chinesa", declarou Kaoru Yosano, ministro delegado japonês de Política Econômica e Orçamentária. "Isto pode ser o sustento de um desenvolvimento da economia regional, ou seja, a Ásia oriental e do sudeste", completou, antes de afirmar que deseja melhorar as relações entre Japão e China no campo econômico".
O PIB do Japão chegou a US$ 5,4742 trilhões, segundo os dados divulgados em Tóquio, e o governo destacou que o da China alcançou a US$ 5,8786 trilhões. O PIB do Japão encolheu 0,3% no quarto trimestre em relação ao anterior, pouco menos que a queda de 0,5% prevista pelos mercados, mas ainda a primeira contração em cinco trimestres.
A contração anualizada foi de 1,1%. Analistas culpam a redução do consumo após o fim de incentivos do governo a carros de baixa emissão de carbono em setembro.
O investimento privado no Japão subiu 0,9% na comparação trimestral, menos que o ganho de 1,5% registrado entre julho e setembro.
Analistas disseram que a alta dos gastos de capital pode não levar a um gasto maior do consumidor, com as empresas relutantes para aumentar os salários devido à competição mundial.
O fim de incentivos do governo a eletrodomésticos com baixo consumo de energia também pesou sobre o consumo, que caiu 0,7% em relação ao trimestre anterior, quando o consumo cresceu 0,9%.
A demanda externa, ou exportações líquidas, tiraram 0,1 ponto percentual do PIB, com a alta do iene frente ao dólar prejudicando as exportações no período.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Geógrafo precoce. Embora formado em direito, Milton Santos começou a lecionar geografia aos 15 anos - 2ª parte

Milton de Almeida Santos nasceu em Brotas de Macaúbas no sertão baiano dia 3 de maio de 1926. Seus avós maternos eram professores primários mesmo antes da abolição. "Do lado paterno, devem ter sido escravos", declarou certa vez. "Não sei muito bem porque em minha casa me ensinaram a olhar mais para frente do que para trás." Seus pais também eram professores primários, uma família "humilde mas não pobre, e que tentou me dar uma educação para mandar, para ser um homem que pudesse, dentro da sociedade existente na Bahia, conversar com todo mundo".
Concluiu o curso primário em casa aos oito anos de idade. Como faltavam dois anos para ingressar no ginásio, seus pais lhe ensinaram álgebra, francês e boas maneiras.
Aos dez anos tornou-se aluno do tradicional Instituto Baiano de Ensino em Salvador. Pagava o internato onde moraria por uma década com o dinheiro que recebia lecionando geografia na própria escola. Milton atuou no jornalismo estudantil e foi um dos criadores da Associação de Estudantes Secundaristas Brasileiros. Seus colegas se opuseram à candidatura de um negro para presidente -- alegaram a dificuldade para discutir com autoridades. "E eu, menino, tolo e inexperiente, acabei perdendo a eleição." Milton era ótimo aluno em matemática e queria seguir engenharia, mas acreditava-se que a Escola Politécnica não aceitaria negros com facilidade. Como um tio seu era advogado, foi aconselhado a estudar direito. Formou-se na Universidade da Bahia em 1948 mas nunca exerceu a profissão. Dedicou-se à geografia, que ensinava desde os quinze anos. "A noção de movimento de idéias veio depois, mas a das mercadorias, das coisas, das pessoas talvez tenha me levado para a geografia", declarou. Também foi fundamental o contato com o livro Geografia Humana, de Josué de Castro. "Era uma espécie de história contada através do uso do planeta pelo homem. Aquilo me
impressionou."
Em 1948 Milton Santos publicou seu primeiro livro: O povoamento da Bahia. Prestou concurso público para professor secundário e foi lecionar em Ilhéus. Nesse período conheceu livros e revistas de geografia, alguns da Associação Brasileira de Geógrafos (AGB), então concentrada no eixo Rio-São Paulo. Milton resolveu participar de uma reunião da AGB, que acontecia em Uberlândia(MG), para perplexidade dos não mais de 30 profissionais reunidos. Nessa ocasião conheceu Aziz Ab'Sáber, de quem se tornaria amigo. Ab'Sáber recorda-se que Milton insistia em discussões teóricas entre determinismo e possibilismo enquanto problemas analíticos estavam em pauta. "Demos risada, mas ele era simpático e inteligente, eu e alguns professores nos aproximamos dele."
Milton passou a convidar professores de geografia paulistanos para da conferências e cursos de férias aos alunos da Universidade Católica de Salvador, onde atuou entre 1956 e 1964. Também era correspondente na região do cacau para o jornal A Tarde, o mais lido na Bahia à época.
A discussão teórica entre determinismo e possibilismo remonta à institucionalização da geografia, na França e Alemanha na primeira metade do século 20. O determinismo é o modelo alemão, segundo o qual o ambiente dita as características do indivíduo. O possibilismo francês especula que pode haver inúmeras variações dos efeitos ambientais sobre o homem.
Raquel Aguiar
Ciência Hoje/RJ
sábado, 22 de janeiro de 2011
30% das fontes de água do país têm qualidade ruim ou péssima

Pesquisa da organização não governamental (ONG) SOS Mata Atlântica mostra que as fontes de água no país estão cada vez mais poluídas e que, diante disso, a saúde da população corre risco. Ao analisar coletas de 43 corpos d´água, em 12 estados e no Distrito Federal, a ONG verificou que nenhuma amostra foi considerada boa ou ótima.
As análises foram feitas ao longo de 2010. Com base em parâmetros definidos pelo Ministério do Meio Ambiente, o estudo revela que em 70% das coletas feitas em rios, córregos, lagos e outros corpos hídricos, a qualidade da água foi considerada regular. Em 25%, a qualidade era ruim e em 5%, péssima. Em visitas a pontos de educação ambiental da ONG, foi avaliada a qualidade da água para consumo e concluiu-se que as águas precisam de tratamento para qualquer uso, seja para o consumo ou para indústria. Nos locais visitados, também foi constado que o principal agente de poluição é o esgoto doméstico.Indicadores da falta de saneamento básico, como a presença de coliformes, larvas e vermes, lixo e baixa quantidade de oxigênio na água, além de dez propriedades físico-químicas foram testadas pela ONG. Das 43 coletas analisadas, o pior resultado foi a do Rio Verruga, em Vitória da Conquista (BA), e a do Lago da Quinta da Boa Vista, no Rio. Em condição um pouco melhor, mas ainda considerada regular e, consequentemente imprópria para consumo, estavam as amostras coletadas no Rio Doce, no município de Linhares (ES), e na Lagoa de Maracajá, em Lagoa dos Gatos (PE).
´A poluição está muito mais vinculada à emissão de efluentes domésticos que industriais, ultimamente´, disse o geógrafo do projeto, Vinicius Madazio. ´É um problema porque 60% dos brasileiros vivem na (região de) Mata Atlântica´, completou, reivindicando que as políticas públicas de saneamento básico sejam prioridade do governo e da sociedade. A qualidade da água é um das preocupações da Organização das Nações Unidas (ONU), que declarou o período entre 2005 e 2015 a década internacional Água para Vida. Em 2006, a instituição estimou que 1,6 milhão de pessoas, principalmente crianças menores de cinco anos, morram anualmente por causa de doenças transmitidas pela água. Procurados, o Ministério do Meio Ambiente e a Agência Nacional de Águas (ANA) não comentaram a pesquisa.
Fonte: Agência Brasil
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
A PARTIR DE REPORTAGENS EFETUADAS EM 2001 PELA REVISTA CIÊNCIA, O BLOG HOMENAGEIA E TRAÇA O PERFIL DE MILTON SANTOS - 1ª PARTE

O militante de idéias
Geógrafo Milton Santos criticou a globalização mas acreditava em transformação social
"O sonho obriga o homem a pensar"
Milton Santos
Milton Santos (1926-2001) é considerado o maior geógrafo brasileiro pelos colegas de profissão. O professor de voz calma e olhar tranqüilo sublinhou o aspecto humano da geografia e criticou a globalização perversa. Via na população pobre o ator social capaz de promover uma outra globalização, que defendeu em livros e conferências pelo mundo.
Milton nasceu em Brotas de Macaúbas (BA) a 3/5/26 e faleceu em São Paulo a 24/6/01.
Milton introduziu importantes discussões na geografia, como a retomada de autores clássicos, e foi um dos expoentes do movimento de renovação crítica da disciplina. Preocupado com a questão metodológica, construiu conceitos, aprofundou o debate epistemológico e buscou na transdisciplinaridade uma visão totalizadora da sociedade.
Esquerdista convicto, não se filiou a partidos: "não sou militante de coisa alguma, apenas de idéias", diz em uma de suas frases mais divulgadas. O estilo independente revela a influência sartreana desse brasileiro que se celebrizou na França, onde obteve o doutorado e lecionou durante a ditadura. Apesar da complexidade de seu pensamento, o alcance das idéias de Milton pode ser medido pela repercussão de uma entrevista concedida ao programa Roda Viva em 1998: os telefones ficaram congestionados com pessoas emocionadas, agradecendo a emissora pela transmissão.
Sua produção acadêmica não permite modéstia: são cerca de 40 livros e 300 artigos científicos. Foi o único estudioso fora do mundo anglo-saxão a receber o mais alto prêmio internacional em geografia, o Prêmio Vautrin Lud (1994). Considerada equivalente ao Nobel na Geografia, a láurea marcou o reconhecimento de suas idéias no Brasil.
Milton foi consultor da Organização das Nações Unidas, da Unesco, da Organização Internacional do Trabalho e da Organização dos Estados Americanos. Também foi consultor em várias áreas junto aos governos da Argélia, Guiné-Bissau e Venezuela. Possuía 13 títulos de doutor honoris causa, recebidos no Brasil, França, Argentina e Itália, entre outros. Foi membro do comitê de redação de revistas especializadas em geografia no Brasil e exterior. Fez pesquisas e conferências em mais de 20 países, dentre eles Japão, México, Índia, Tunísia, Benin, Gana, Espanha e Cuba.
Recebeu em 1997 o prêmio Jabuti pelo melhor livro em ciências humanas: A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. Em 1999 recebeu o Prêmio Chico Mendes por sua resistência. Foi condecorado Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico em 1995. Hoje, o geógrafo tantas vezes laureado empresta seu nome ao Prêmio Milton Santos de Saúde e Ambiente, criado pela Fundação Oswaldo Cruz.
Milton Santos nunca participou de movimentos negros -- acreditava que deveriam conquistar reconhecimento em atitudes como, por exemplo, ingressar na universidade. "Minha vida de todos os dias é a de negro", declarou. "Mantenho com a sociedade uma relação de negro. No Brasil, ela não é das mais confortáveis."
SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL DA ÁGUA CONSUMIDA NO MUNICÍPIO DE PALMEIRA DOS ÍNDIOS, BRASIL

UMA BREVE ANÁLISE
*Tiago Sandes Costa
*Hélder da Silva Oliveira
Municípios em todo o Brasil principalmente os da região nordeste, passam por verdadeiras calamidades, e não são por causa de chuvas ou outros fenômenos, mas sim pela falta de água que assola toda uma população. Vários fatores podem ser condicionantes para o desabastecimento da água, dentre eles, fatores naturais como a seca, fatores ambientais com a degradação do meio ambiente e da própria funcionabilidade dos sistemas que abastecem as cidades com o seu sucateamento. Estes problemas pedem ser amenizados com políticas públicas, mas com responsabilidades para com a recuperação de área ambiental. O ambiente é o principal ícone a ser investigado e estudado no município de Palmeira dos Índios localizada na região agreste de Alagoas. Esse tema causa bastante discussão onde for enfocado, e o aprofundamento dessa discussão trás a tona a imensidão desse problema, que deveria ser uma solução se fosse tratado de forma racional.
Quais os impactos ambientais verificados no município que influenciam no abastecimento de água? Essa é a grande razão do estudo a ser desenvolvido, partindo de uma questão ambiental que é a degradação.
DEGRADAÇÃO AMBIENTAL E ABASTECIMENTO D’ÁGUA
Por ter referencia de vida, o tema “água” é o alvo dos grandes debates em todo o mundo. Desde em que esse tema tomou proporções bastante amplas, devido principalmente sua falta em áreas que não tinham o registro de problemas, que governos estão bastante cautelosos ao tratar da água. Um dos problemas que altera completamente e pode torna-se uma fatalidade à medida que aumenta a agressão ao meio natural, são os impactos causados pela ação do homem nas reservas hídricas. As nascentes são as veias aorta para a vida dos rios, e quando esse ambiente é de alguma forma degradada, a possibilidade desse rio transmitir sua vida é mínima. E isso é cada vez mais se vê o aumento da destruição, ao ponto de termos que delimitar áreas para não serem atingidas pela ação humana. “Consideramos como espaço natural àquele que resultou da própria evolução das condições naturais, sem que tenha havido interferência da ação do homem”. (ANDRADE, 1998 p. 28). Podemos observar nosso meio que quase não existe espaço natural, quase todo esse espaço já foi modificado pelo homem.
Precisa-se preservar para manter a sustentabilidade da vida nos rios, lagos, nascentes e conseqüentemente manter a vida dos seres humanos. “A precipitação é um importante fator-controle do ciclo hidrológico e, portanto, da regulagem das condições ecológicas e geográficas de uma determinada região”. (COELHO NETTO, 1992 P. 100). Esse é um dos fatores fundamentais para a não agressão ambiental, cuidando da sua vegetação natural para manter a continuidade deste ciclo. É possível notar a diferença de vazão em áreas onde suas matas são conservadas em relação a situações em que já não há reminiscência de sua vegetação original.
Como toda causa tem seu efeito correspondente, todo o beneficio que o homem extrai da natureza tem certamente também seus malefícios. Desse modo, parte-se do principio de que toda ação humana no ambiente natural ou alterado causa algum impacto em diferentes níveis, gerando alterações com graus diversos de agressão, levando às vezes as condições ambientais a processos ate mesmo irreversíveis”. (ROSS, 1997 p. 14).
Como descreve o autor, situações hoje que não são levadas a sério podem no futuro acarretar um alto grau de tragédia para a vida no planeta.
À medida que a população de uma cidade cresce, surgem vários fatores que podem modificar todo o espaço natural, transformando-o em espaço geográfico. Problemas no abastecimento d’água indicam um mau planejamento na funcionabilidade e também de caráter ambiental que gera desconforto na população. Tem que se preocupar com a qualidade da água oferecida à população, para que se possa contribuir para uma vida mais saudável.
A busca por respostas para o questionamento da real situação do espaço geográfico que determina o desabastecimento de água pode resultar nas questões levantadas sobre o atual estado do meio ambiente e seus fatores naturais juntamente com o não acompanhamento do aumento populacional em Palmeira dos Índios. Um levantamento ambiental dará uma esquematização do grau de preocupação com os recursos hídricos do nosso município.
De certa maneira, precisa-se viabilizar o mais rápido possível, e de maneira em que o ambiente não seja o mais penalizado e devastado, a regularização e a melhoria do abastecimento de água, que com certeza daremos um grande salto para o desenvolvimento, melhorando a qualidade de vida. Não se pode deixar a política para essas áreas padecer, o investimento na recuperação de áreas de degradação ambiental são fundamentais para sua plena recuperação e tomada de desenvolvimento com sustentabilidade pelo próprio meio ambiente. Sabemos que a partir do momento que em que se recupera uma área devastada, as possibilidades de reestruturação são enormes ampliando um leque de fortalecimento ambiental. Tudo isso reflete no nosso cotidiano, em contextos diferenciados, mas que certamente podemos perceber a diferença. “Cada vez mais busca-se alternativas de gestão da água, seja através de canalização, barragens, açudes ou construções de reservatórios nos leitos dos rios”. (CÂMARA, 2002 p. 31).
Temos que buscar alternativas para conseguirmos restaurar os nossos ecossistemas ambientais de forma a garantir a sustentabilidade do meio ambiente.
CONSIDERAÇOES
Para a concretização de uma pesquisar tem que se existir uma linha para que possamos nos orientar e podermos dinamizar as questões relevantes nas relações de pesquisa em campo. Um tema tão abrangente como esse que releva toda uma discussão, em vários setores da sociedade, das áreas cientifica e governos, propõem uma maior dedicação na aquisição de dados relevantes para posteriormente publicar uma consideração sobre determinado aspecto de uma região.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANDRADE, Manoel Correia de, Geografia Econômica. São Paulo, SP. 12ª edição, ed. Atlas S.A. 1998.
CÂMARA, João B. D., Democratização e Gestão Ambiental. São Paulo, SP. 3ª edição. Ed. Vozes. 2002.
COELHO NETTO, A. L., O Geoecossistema da Floresta da Tijuca, in natureza e sociedade no Rio de Janeiro, Organizado por ABREU, M. A., Coleção Biblioteca Carioca, Vol. 21, 104-142, 1992.
ROSS, Jurandir Luciano Sanches, Geomorfologia Ambiental e Planejamento. São Paulo, SP. Ed. Contexto. 1997.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
FATORES DE DEGRADAÇÃO DO RIO IPANEMA NO PERÍMETRO URBANO DE SANTANA DO IPANEMA – AL.

Alba Cíntia Duarte Felix
Andressa Santos de Goes
Jôsy Alves Rocha
Libânia Melo de Oliveira
Railma Alencar Correia da Silva
Os problemas relacionados à degradação ambiental é uma realidade que vem se intensificando a cada dia. O quadro atual de pressões sobre o meio ambiente na cidade de Santana do Ipanema concentra-se no Rio Ipanema, aonde ao longo de décadas vem sendo tratado com descaso, ocasionando a deterioração, através da urbanização e poluição.
O Rio Ipanema é temporário, porém não deixa de ser essencial para a vida do sertanejo. Depois que nasce em Pesqueira-PE, desce por Itaíba, Águas Belas, chega a Alagoas em Poço das Trincheiras, passa em Santana do Ipanema, cruza Olivença, Batalha e deságua em Belo Monte no Rio São Francisco, por isso é importante salientar que o Rio Ipanema é fundamental para atuação deste.
O presente trabalho busca investigar as causas da degradação ambiental do Rio Ipanema no perímetro urbano de Santana do Ipanema - AL. Sabemos que nesta região a escassez da água constitui um forte entrave ao desenvolvimento socioeconômico. Dessa forma, pretendemos conhecer as políticas de preservação do Rio Ipanema e suas principais formas de degradação.
Assim, selecionamos alguns objetivos para melhor direcionarmos nossa pesquisa. São eles: a) verificar como o processo de urbanização da região influenciou na poluição do rio e na destruição das matas ciliares; b) analisar de que maneira o Rio Ipanema é utilizado pela comunidade de Santana do Ipanema e c) Investigar a existência de processos de recuperação do Rio Ipanema.
Portanto, busca-se, por meio desta pesquisa, o início de uma nova fase de preocupação e conscientização da população sertaneja para que possamos permitir a gerações futuras a garantia de utilização dos recursos naturais ainda hoje disponíveis.
2. REVISÃO DA LITERATURA
2.1 CONCEITOS E FUNDAMENTOS
Ao iniciarmos nossa pesquisa procuramos, primeiramente, conceituar nossa temática. Assim, para detectarmos os fatores de degradação do Rio Ipanema, temos que compreender o significado da palavra degradado. Silva (2010, p.28) coloca que “degradado” refere-se ao rio que distanciou-se significativamente de sua condição de “intacto”, mas não se deu início à sua recuperação. Seus canais estão sempre em um estágio de desequilíbrio, tentando ajustar-se ao distúrbio.
A legislação ambiental brasileira define, atualmente, como rio degradado aquele que, por causas diversas, sofreu impactos ambientais e apresenta uma ou mais das características estabelecidas pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) (1986), tendo suas águas afetadas de maneira parcial ou totalmente ao longo do seu curso. (SILVA, 2010, p. 24)
Em contraposição o mesmo autor afirma que um rio é dito em equilíbrio quando nele não se verifica nem erosão, nem deposição de material em qualquer ponto de seu curso. Nas condições de equilíbrio, o rio é capaz de transportar todo o material fornecido pelas vertentes. (2010. p. 26)
Dessa forma, podemos classificar o Rio Ipanema como um rio degradado, pois o mesmo sofreu alterações diversas. O rio em questão tem o seu leito transformado em esgoto a céu aberto, com a deposição de resíduos sólidos (lixo) em suas margens, criação de animais dentro do leito do rio, a exemplo de porcos e cavalos e ainda recebe os restos mortais expelidos pelo matadouro público que fica situado as margens do Rio Ipanema.
No caso específico do Rio Ipanema seria necessário um processo de “Restauração”, que ainda segundo Silva (2010, p.27) consiste no restabelecimento das funções aquáticas e das características físicas, químicas e biológicas próximas às existentes antes do distúrbio; é um processo holístico que não é alcançado através da manipulação de elementos individuais.
Contudo, o processo o restauração não pode ser executado por qualquer um e a qualquer tempo, se faz necessário um projeto elaborado a partir de estudos científicos, mas que conte com a efetiva participação da sociedade, principalmente no tocante à conscientização e preservação do rio.
2.2 LEVANTAMENTO DE INFORMAÇÕES
O Rio Ipanema, desde muitos anos, vem sendo ameaçado constantemente pela população santanense, isto acontece pelo fato do seu leito se encontrar próximo ao centro urbano e a ausência de uma política sistemática de conscientização sobre a importância do Rio para a região de Santana do Ipanema, interior do Estado de Alagoas.
Santana do Ipanema é uma das principais cidades do sertão alagoano. Nesta região o regime pluviométrico é marcado por extrema irregularidade de chuvas. Sua população, principalmente da área rural, sofre demasiadamente com os períodos de seca que anualmente acometem a região.
O município de Santana do Ipanema está inserido na bacia hidrográfica do Rio Ipanema, que atravessa sua porção central, banhando sua sede. Esperava-se assim que este rio, mesmo sendo temporário, amenizasse o problema da seca ao menos nas comunidades ribeirinhas. No entanto, ao longo de décadas, o Rio Ipanema vem sofrendo inúmeras alterações de caráter antrópico, ocasionando a sua degradação, como poluição das águas, perda da mata ciliar, erosão, etc.
Há uma demanda, cada vez maior, por abastecimento de água nos diversos setores da sociedade e somado a ela vem ocorrendo uma crescente degradação dos corpos hídricos, a qual tem se dado devido às pressões sociais por espaços a serem ocupados, às práticas econômicas ecologicamente inadequadas, como também, a de negligência das autoridades públicas que permitem com que, em grande parte dos municípios brasileiros, haja o lançamento de efluentes domésticos e industriais, sem qualquer tratamento diretamente nos rios. (SILVA, 2010, p. 23)
De acordo com dados coletados pela ONG Arte, Cultura e Meio Ambiente – ACEMA, a causa principal da poluição do Rio Ipanema é a vazão de esgoto doméstico das cidades e não o despejo industrial, como era antes acreditado. Contudo, junta-se a isso o lixo e o esgoto lançados pelas comunidades locais, o desmatamento da mata ciliar, a criação de animais dentro do leito do rio, etc.
Ainda segundo a ACEMA, não existe qualquer estrutura de saneamento básico, a coleta de resíduos sólidos da área urbana é efetuada de forma precária em função da ausência de equipamentos.
De acordo com a Lei 9.433 de 1997 que rege sobre a Política Nacional de Recursos Hídricos, voltadas para ambientes fluviais degradados, em seu Capítulo I, incisos VI: a gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e contar com a participação do Poder Público, dos usuários e das comunidades. Fica evidente a responsabilidade tanto do setor público como da comunidade em geral na preservação e nos processos de restauração do rio em questão.
Assim, no Projeto QUERO VER MEU RIO LIMPO, a ACEMA comenta a possibilidade de um trabalho integrado, mas que torna-se inviabilizado por depender de uma genuína vontade política, de meios financeiros e ainda do envolvimento da comunidade.
As comunidades locais enfrentam sua fragilidade institucional e técnica no contexto das relações sociais mais amplas. No entanto, é preciso recuperar a idéia de cidade como projeto coletivo, garantindo a legitimidade e governabilidade. (ACEMA)
Desta forma, a recuperação do Rio Ipanema – aí entenda-se recuperação como um processo destinado a adaptar um recurso “selvagem” ou “natural” para servir a propósito utilitário humano, dispondo um recurso natural para um novo uso ou um uso modificado (SILVA, 2010, p. 27) – tem que ser um processo contínuo para assegurar sua eficácia, onde cada município banhado por suas águas dê sua parcela de contribuição. De maneira que os projetos implantados estejam fundamentados em conceitos científicos para não apresentarem falhas e a comunidade trabalhe concomitantemente a estes projetos a questão da conscientização a curto, médio e longo prazo.
Sabemos que a existência de um rio em um determinado local supõe uma série de fatores que contribuem fortemente para o desenvolvimento do potencial econômico, social, cultural e turístico da região. É dessa forma que enxergamos no Rio Ipanema inúmeras possibilidades de desenvolvimento econômico. Mas, no entanto, a carência de estudos de abrangência regional, fundamentais para a avaliação da ocorrência e da potencialidade desses recursos, reduz substancialmente as possibilidades de seu manejo, inviabilizando uma gestão eficiente (ESTADO DE ALAGOAS, 2005, p. 1).
É sabido que a maior vantagem comparativa da cidade é seu patrimônio urbano e arquitetônico, sua diversidade ambiental e as possibilidades paisagísticas. Deve ser considerado como parte importante do seu capital natural e construído da mais alta qualidade e permanentemente valorizado, adotando estratégias de manutenção para evitar que entre em processo de obsolescência. (ACEMA)
Então, além dos processos de recuperação, conscientização/preservação, se faz necessários projetos para uma utilização do Rio Ipanema que gere renda, desenvolvendo seu potencial turístico e principalmente criando melhores condições de vida às comunidades locais.
3. MATERIAIS E MÉTODOS
Para a realização deste trabalho nos valemos da abordagem Qualitativa ao pesquisarmos os pressupostos básicos para conhecimento da temática. Posteriormente, utilizamos a abordagem Quantitativa na coleta de dados estatísticos.
Realizamos estudo bibliográfico, através de livros e artigos científicos extraídos da internet. Buscando analisar conceitos envolvidos nas propostas de manejo de rios existentes atualmente, bem como as formas de atuação diante das alterações identificadas. Analisamos documentos cedidos pela ONG Arte, Cultura e Meio Ambiente e ainda as diretrizes, em nível nacional presentes na Lei nº 9.433/97 voltadas para os ambientes fluviais degradados.
A pesquisa teve caráter exploratório-descritiva, onde realizamos entrevistas, estudos de caso, análise de fotografias, etc. No intuito de construir hipóteses, bem como descrever as características do nosso objeto de estudo.
Os procedimentos foram os seguintes: a) visita para observação e levantamento de fotografias da região escolhida; b) visita a ONG Arte, Cultura e Meio Ambiente para coleta de material; c) contato com a comunidade para realização de entrevistas; d) análise bibliográfica e/ou documental para a construção do Artigo.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
De acordo com pesquisas feitas, através de questionários aplicados com relação ao Rio Ipanema na comunidade ribeirinha, percebe-se que a população está preocupada apenas com a poluição do Ipanema.
Foi constatado que a população ribeirinha despeja diversos tipos de lixo no Rio, desde o doméstico ao material de sucata. Essa ação ocasiona poluição e sérias consequências à sociedade, como a transmissão de doenças tais como verminoses, parasitoses, viroses, infecções entre outras.
Contudo, percebe-se que a população de fato se preocupa com a poluição, porém, não faz nada para diminuir esse problema. Além disso, preocupar-se apenas com a poluição não é o suficiente, pois ela não é o único fator de degradação do Rio.
Outro fator que contribui para a degradação do mesmo é a urbanização, mas a comunidade ribeirinha não demonstra nenhuma preocupação com este, talvez seja por falta de informação perante a sociedade, pois de acordo com relatos feitos pela comunidade, a mesma não sabe ao certo o significado de urbanização.
Dando continuidade, afirmações feitas pelas pessoas próximas ao Rio, demonstram que antes da urbanização o mesmo era menos poluído, e que com a migração das pessoas para a cidade o rio Ipanema tornou-se mais poluído, porém há quem afirme o contrário.
Pelo sim ou pelo não, o fato é que, ainda segundo essas pessoas, no passado, podia-se usar a água do Ipanema para o consumo, ou seja, utilizavam para lavar louças, roupas, tomar banho e todas as tarefas domésticas. O problema é que hoje essa prática deixou de ser exercida, pois a poluição chegou a um estado que impossibilitasse essa prática.
Além disso, a uma revolta da população em relação ao poder público municipal, pois de acordo com os moradores ribeirinhos, há um descaso muito grande por parte deste em relação ao rio Ipanema, pois não existe nenhum projeto político que vise diminuir a poluição ou até mesmo resolver o problema da degradação do Rio. Afirmam ainda, que algo só é feito para amenizar esse problema no período de eleições municipais, mas que de nada adianta, pois não há um projeto elaborado para ser realizado a longo prazo, apenas são tomadas medidas paliativas. Em outro momento, foi dito pela comunidade que vive a beira do Ipanema que a mesma despeja o lixo no Rio porque a coleta pública não abrange esta localidade, desse modo, a única alternativa é jogar lixo no Rio.
Um fato importante a ser observado, é que algumas pessoas dessa comunidade não utilizam a água do Ipanema, em contrapartida exercem a pesca para o consumo e o mercado. O curioso é que se há pesca no período de seca do Rio e com tamanha poluição, se fosse um Rio despoluído e tratado a pesca movimentaria a economia local.
Detectou-se ainda, a existência de uma empresa que joga entulho de seu material de trabalho diretamente no rio Ipanema, há também outra empresa que despeja seu lixo doméstico nas margens do mesmo. Com isso, prova-se que não há uma mínima preocupação em relação ao rio Ipanema.
Ademais, a população afirma ainda, que se houvesse um projeto político, ou de iniciativa não-governamental para resolver o problema da poluição e da consequente degradação, a mesma estaria disposta a ajudar e trabalhar para o bem comum, de forma que desejaria que o Rio fosse limpo para poder utilizar esse patrimônio natural para realização das tarefas domésticas e para o lazer de toda população.
5. CONCLUSÃO
Ao analisar toda a situação do Rio Ipanema, percebe-se que há uma falta de política governamental voltada para a preservação dos rios, no caso específico do Rio Ipanema, não existe nenhum projeto no sentido de conscientizar a população e/ou até mesmo não há nenhum projeto com intenção de recuperar o que já está degradado. Dessa maneira, é praticamente impossível que o Rio sobreviva a tanta poluição e descaso.
A população ribeirinha utilizava água do Ipanema para lavagem de roupas e consumo doméstico, vale lembrar que isso só ocorre na época das cheias, pois o Rio é temporário.
Sabe-se que maior parte do planeta é constituído por água, mais da metade do corpo humano também é constituído por água, então para qual finalidade poluí-se as águas dos Rios se sabe-se que nada existe sem água?
Mesmo sendo um rio temporário, ele pode trazer muitas benesses para o ser humano, assim como já está trazendo a pesca, por exemplo, é praticada na região de Santana do Ipanema em plena seca do Rio e em meio toda a poluição. Porque não elaborar um projeto para aproveitar todo o Rio na época das enchentes? Esse é o problema, não há incentivo por parte do poder público e muito menos do privado, dessa forma a população fica de "mãos atadas" em relação à recuperação do Ipanema. Vale ressaltar que há também falta de informação para com a comunidade local, pois segundo entrevistados, afirmam não entenderem a importância e a finalidade de um saneamento básico ou que cada vez mais há escassez de água no planeta Terra.
Como esperar da população atitudes de preservação do ambiente se ela mesma não compreende do que se trata? No caso do Rio Ipanema, não há a mínima preocupação por parte do poder público municipal, a comunidade ribeirinha afirma não haver coleta de lixo naquele local e que não há alternativa se não jogar todo o lixo no Rio.
Além disso, a população ribeirinha se preocupa apenas com a população fatores de degradação do mesmo, como a urbanização, por exemplo, as pessoas constroem suas casas nas margens do Ipanema a não levam em consideração que suas ações prejudicam a natureza e o funcionamento normal do rio. Vale lembrar que o Ipanema nasce em Pesqueira-Pe, desce por Águas Belas, Itaiba, chega a Alagoas em Poço das Trincheiras, Santana do Ipanema, cruza Olivença, Batalha e deságua em Belo Monte no rio São Francisco, mas é em Santana do Ipanema que seu leito se localiza no centro urbano, facilitando uma maior poluição do Rio.
Porém, não se pode deixar de mencionar a importância do rio Ipanema, pois o mesmo deságua no rio São Francisco que abastece a maior parte do Nordeste.
Desse modo, chegar-se-ia a um denominador comum se o poder público, responsável por cuidar do patrimônio natural do município, conscientizasse a população através de projetos específicos e se a população também se engajasse na busca por um Rio despoluído e saudável, dessa maneira, o Ipanema estaria longe de ser um Rio degradado.
6. REFERÊNCIAS
ACEMA. ONG Arte, Cultura e Meio Ambiente. Projeto Quero Ver Meu Rio Limpo. Santana do Ipanema - AL.
BRASIL. Lei nº 9.433, de 08 de janeiro de 1997. Disponível em:
ESTADO DE ALAGOAS, Projeto cadastro de fontes de abastecimento por água subterrânea, Diagnóstico do município de Santana do Ipanema. Recife, Ago. 2005. Disponível em:
SILVA. L. C. Manejo de rios degradados: uma abordagem conceitual. Revista Brasileira de Geografia Física. Recife, 15 jul. 2010. Disponível em:
População mundial: já somos 7 bilhões

A população mundial pode chegar à marca dos 9 bilhões até 2045. O planeta vai conseguir sustentar tanta gente?
Por Robert Kunzig
Foto de John Stammeyer
Certo dia no outono de 1677 na cidade holandesa de Delft, Antoni van Leeuwenhoek, um mercador de tecidos que se supõe ter servido de modelo para dois quadros de Johannes Vermeer - O Astrônomo e O Geógrafo -, saiu da cama, interrompendo de repente o que estava fazendo com sua mulher, e correu para a mesa de trabalho. Os tecidos permitiam a Leeuwenhoek ganhar a vida, mas o que o fascinava mesmo era a microscopia.
Leeuwenhoek possuía uma lupa minúscula e poderosa, feita por ele mesmo. Na Real Sociedade de Londres, sábios ainda estavam tentando comprovar a alegação anterior de Leeuwenhoek, segundo o qual havia milhões de "animálculos" invisíveis em uma única gota dágua de um lago e até mesmo no vinho francês. Agora ele tinha algo mais constrangedor a relatar: o sêmen humano também estava repleto daqueles animálculos. "Às vezes mais de um milhar", escreveu, "em uma quantidade pequena de material como um grão de areia." O holandês observou seus próprios animálculos nadando de um lado para outro, impulsionados por sua longa cauda.
Depois disso, Leeuwenhoek ficou obcecado. Embora a lupa lhe proporcionasse acesso privilegiado a um universo infinitesimal jamais visto, ele dedicou um tempo descomunal a examinar os animálculos hoje conhecidos como espermatozoides. E, curiosamente, foi o líquido seminal que extraiu de um bacalhau que o inspirou, quase por acaso, a tentar calcular a quantidade máxima de pessoas que poderiam viver na Terra.
Ninguém na época tinha a menor ideia, pois os censos eram raros. Leeuwenhoek, então, partiu da estimativa de que cerca de 1 milhão de pessoas viviam na Holanda. Recorrendo a mapas e noções de geometria esférica, ele calculou que a área terrestre habitada do planeta era 13 385 vezes maior que a da Holanda. Era difícil imaginar o planeta todo mais densamente povoado que o próprio país, que na época já parecia bastante apinhado. Portanto, sua conclusão triunfante foi a de que a Terra não poderia abrigar mais que 13 385 bilhões de pessoas - número até que pequeno se comparado às 150 bilhões de células espermáticas presentes em um único bacalhau! Esses cálculos singelos e otimistas, segundo o biólogo Joel Cohen, no livro How Many People Can the Earth Support? ("Quantas pessoas a Terra pode sustentar?", não lançado no Brasil), foram a primeira tentativa de se dar uma resposta quantitativa a uma questão que se tornou hoje bem mais urgente do que era no século 17. No entanto, a maioria das respostas atuais está longe de ser otimista.
De acordo com as estimativas mais recentes dos historiadores, na época de Leeuwenhoek havia apenas cerca de meio bilhão de seres humanos no mundo. Após crescer bem devagar durante milênios, esse número estava começando a ganhar impulso. Um século e meio depois, quando outro cientista comunicou a descoberta dos óvulos humanos, a população mundial tinha dobrado e ultrapassado a marca de 1 bilhão. Um século depois disso, por volta de 1930, ela havia dobrado mais uma vez, agora para 2 bilhões. Desde então a aceleração do crescimento demográfico foi assombrosa. Antes do século 20, nenhum ser humano tinha vivido o suficiente para testemunhar uma duplicação da população mundial, mas hoje há pessoas que a viram triplicar. Em algum momento no fim de 2011, segundo a Divisão de População das Nações Unidas, seremos 7 bilhões de pessoas.
Embora seu ritmo esteja diminuindo, essa explosão demográfica está longe de terminar. As pessoas passaram a viver mais tempo e há tantas mulheres ao redor do mundo em idade de procriar - 1,8 bilhão - que a população global ainda vai continuar crescendo pelo menos durante algumas décadas, mesmo que cada mulher tenha menos filhos que na geração anterior. Até 2050, o total de seres humanos no planeta pode chegar a 10,5 bilhões ou então se estabilizar por volta dos 8 bilhões - a diferença é de cerca de um filho para cada mulher. Os demógrafos da ONU consideram mais provável a estimativa média: eles estão projetando uma população mundial de 9 bilhões antes de 2050 - em 2045. O resultado final dependerá das escolhas feitas pelo casal quando realizar o mais íntimo dos atos humanos - aquele que, em prol da ciência, Leeuwenhoek interrompeu com tanto descaso.
Com a população mundial a aumentar ao ritmo de cerca de 80 milhões de pessoas por ano, é difícil não ficar alarmado. Em toda a Terra, os lençóis freáticos estão cedendo, os solos ficando cada vez mais erodidos, as geleiras derretendo e os estoques de pescado prestes a ser esgotados. Quase 1 bilhão de pessoas passam fome todo o dia. Daqui a algumas décadas, haverá mais 2 bilhões de bocas a ser alimentadas, a maioria em países pobres. E bilhões de outras pessoas lutarão para sair da miséria. Se seguirem pelo caminho percorrido pelas nações desenvolvidas - desmatando florestas, queimando carvão e petróleo, usando fertilizantes e pesticidas com abundância -, vai ser enorme o impacto sobre os recursos naturais do planeta. Como podemos conciliar tudo isso?
Ensaio Sobre as Metamorfoses e a Centralidade do Trabalho

ANTUNES, Ricardo. Adeus ao Trabalho?: Ensaio Sobre as Metamorfoses e a Centralidade do Trabalho. 7ª Ed.Rev. Amp. São Paulo: Cortez: Campinas, SP: Ed. Da Universidade Estadual de Campinas. 2000. PP: 23 – 45.
Tiago Sandes Costa*
O texto retrata dois momentos da história do Trabalho protagonizado pelo Fordismo e o toyotismo. O Fordismo caracterizado pelo cronômetro, com produção de série e de massa que é típico de sua indústria vem sendo diferenciado pelo toyotismo. Segundo Coriat, quatro foram as fases que levaram o toyotismo ao advento. Em uma delas, ele fala em aumentar a produção sem aumentar o número de funcionários. Isso significaria a transformação de um único funcionário provedor de várias funções durante seu horário de trabalho para a lógica de não admitir outro na função. Teria então dois trabalhos realizados pagando somente a um trabalhador. Outra ação que é colocado em prática e o ideal de só se produzir o necessário, como em um supermercado onde os produtos só seriam repostos quando acabarem de vender os da prateleira, ou seja, o que o mercado consumisse para não haver o desperdício. O Toyotismo também propagava o tom do amor do trabalhador pela empresa, termos como “espírito Toyota” e “família Toyota” eram empregados no dia a dia do trabalhador, marcava o trabalhador com sua marca como, por exemplo, a farda utilizada para mostrar o orgulho à empresa. O sindicato que tem a função de defender o trabalhador e era desconfigurada pelo Toyotismo, como sindicato-casa, onde o trabalhador tinha não uma fonte de defesa, mas sim, uma fonte de diversão que era atrelada ao sindicato.
A exploração do trabalho é contínua, no sistema Toyotista o trabalhador era explorado trabalhando simultaneamente em varias máquinas. São os trabalhadores multifuncionais, onde comparado com hoje podemos citar um mecânico que para se deslocar precisa ele mesmo dirigir o carro onde era função de um motorista, vemos que trabalhador para desempenhar sua função tem que exercer uma outra. O capital é colocado acima de tudo e de todos, gerenciador do trabalho e do mercado fazendo com que o trabalhador seja apenas um meio da produção capitalista, explorado e seus meios de defesa cooptado e manipulado.
Cada vez mais vemos a crescente onda da ideologia capitalista impregnando em vários setores da sociedade provocando um verdadeiro sufocamento aos trabalhadores. Na lógica da agenda neoliberal verifica-se a diminuição dos direitos adquiridos e encolhimento do Estado nas suas funções vitais resultando numa maior redução das conquistas sociais.



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