
Comunidade – Integrar no cotidiano da escola a convivência com os pais através de atividades pedagógicas internas e externas dentro do calendário escolar a fim de atingir esse perfil nos próximos 3 anos com bons indicadores de sucesso a curto prazo.
Aluno – A dinâmica escolar não deve girar em torno da especificidade sala de aula, temos que planejar um calendário em que possamos avaliar o desempenho e grau de intelectualidade a partir de interações que possam fazer com que ele (s) compreenda (m) como atua e funcionam os diversos fatores físicos, químicos, biológicos, históricos e geográficos em suas respectivas disciplinas. Tanto os professores quantos os coordenadores podem provocar esse debate e por fim conduzir o processo junto às instâncias de planejamento pedagógico, metodológico e institucional da CNEC. Esta junção deve ser em curto prazo para que possa ser colocado em prática no ano que se segue. Podemos sair na frente recolocando da escola com um novo olhar apontando para o futuro. Médio prazo.
Escola – A escola de ser um espaço harmônico. A harmonia está na lógica que essa mesma escola deve girar em torno de horizontes, em uma organicidade que possa proporcionar uma vida mais agitada em torno das discussões contemporâneas ligadas as áreas da ciência e cultura. A promoção de espaços concomitantes para que possam desenvolver projetos orientados por professores e coordenadores, neste sentido, colocando-os co-responsáveis no direcionamento dos projetos escolares. Médio prazo.
Missão – Militantes da educação tem que propor uma educação de qualidade, de formar cidadãos que possam ser protagonizantes de seu próprio futuro.
Perfil do cidadão – Promover ações que possam instigar seus princípios e desmistificar preconceitos acerca dos problemas sociais. Os professores, principalmente da área de humanas, devem propor atividades internas para que eles possam expor seus anseios comuns ou não.
Valores – Os valores são buscas incessantes do ser individuo, ou seja, do perfil individualista de cada um. Os valores além de serem expostos necessitam ser instigados. Nossos valores não devem ficar apenas na memória ou em faixas, e sim, propositalmente exposto e premiado pelo conjunto escolar. Esse projeto pode ser visto em curto prazo.
Competências – Boa pergunta. Competências? De quem são? As competências são generalizadas, cada papel no conjunto educacional tem um perfil a desempenhar, inclusive o aluno. Para termos sucesso, esse conjunto tem que exercer suas habilidades e no final avaliarmos.
Conteúdo – Em algumas séries ou anos, os conteúdos programáticos são extensos. Concordo que devemos seguir uma orientação sobre a distribuição do conteúdo já que temos uma maratona de preparação em torno do vestibular. Mas, penso que nós professores neste aspecto, poderíamos ser privilegiados pelo menos no aspecto consultivo. Deve ser trabalhado de uma forma mais objetiva para que suas habilidades sejam melhores trabalhadas e desafogue o calendário que é muito curto a vista do conteúdo a ser trabalhado.
Metodologia – A individualidade neste ponto predomina. Mas, com certeza poderíamos democratizar as informações metodológicas por área. Isso passa por um planejamento voltado para os pedagogos. A metodologia passa pela disponibilidade de ferramentas necessárias para o desenvolvimento da mesma.
Atividades – Neste contexto é importante a manutenção de atividades que possam socializar. Algumas datas importantes devem ser mantidas e ampliadas inclusive, a Semana do Meio Ambiente.
Aprendizagem – Esse deve ser o principal foco do conjunto geral da escola. A aprendizagem não é sinônimo de sala de aula, ela faz parte, mas não é tudo. Neste contexto temos que planejar um calendário de atividades extra classe para que possamos proporcionar uma visão mais ampla e definida do que está em torno de nós, nosso mundo, a sociedade, o meio ambiente e a escola.
Avaliação – O método de avaliação permeia as condições expostas pelos diversos níveis da educação brasileira, mas, ela pode e deve ser aperfeiçoada a todo o momento. Os projetos devem ter esse papel fundamental no encaixe total dos métodos de avaliação.
Recursos – Esse é um grande problema para o desenvolvimento educacional. A informatização deve estar inserida neste contexto. As ferramentas como retro projetores, sons, biblioteca, laboratórios, data-show e computadores devem ser estabelecidos no cotidiano da escola. Essas ferramentas podem estar inseridas em médio prazo com aquisição anual dos diversos mecanismos do ensino-apredizagem.
Sistema CNEC – O sistema de ensino CNEC é contextualizado. O aprimoramento deve ser compartilhado por quem faz a educação cotidianamente. Professores, coordenadores e diretores devem participar da elaboração de um plano de metas dentro das diversas disciplinas contempladas no sistema educacional.
Tempo – “A pressa é inimiga da perfeição”. Esse ditado deve ser irrestrito quando pomos em prática o que almejamos. O tempo não pára e nele estamos. A partir dessas afirmações nos vemos na necessidade de programarmos em torno de um calendário curto para que possamos desempenhar ambos os papéis, de educador e formador.
Espaço – Não podemos estar fragmentados no tempo e no espaço. O espaço não deve ser momentâneo, ele tem que proporcionar uma longevidade em torno das práticas educacionais para que possa ser atrativo, resultando num acúmulo qualitativo e não quantitativo para os estudantes e professores futuros, e a adesão a essa nova forma de se organizar é natural.
Normas de convivência – Temos em nossa estrutura o processo hierárquico, as disposições bem ordenadas entre as partes devem seguir num ritmo ético imprescindível para a manutenção de um ambiente fraterno.
Tiago Sandes – Geografia CNEC / CCS
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
PPPI - Uma porta para a promoção de uma educação de qualidade
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Alta dos preços dos alimentos faz crescer número de famintos

06/10/2008
O número de famintos volta a subir na América Latina e no mundo. O alerta é da agência da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) que concluiu em seu relatório anual que a alta dos preços de alimentos fez disparar os números da fome pelo planeta.
Segundo o diretor-geral da FAO , Jacques Diouf, 75 milhões de pessoas entraram para os índices da fome, 8% de 2005 para 2007, quando o número chegou a 923 milhões. Desse total, 907 milhões vivem nos países pobres. Em 2008, o número deve ser ainda maior, por causa da inflação.
Com a alta nos preços dos alimentos, 33 países na África, Ásia e América Latina passaram a integrar a lista de locais onde a fome se transformou na principal crise. As regiões mais atingidas foram Ásia e África, onde estão 89% dos famintos. Nos países asiáticos, são mais 41 milhões de famintos. Outros 24 milhões surgiram na África.
Já na América Latina são 6 milhões famintos a mais desde a elevação dos preços dos alimentos, computando agora 51 milhões.
Os que mais sofrem com a crise dos alimentos são os agricultores Sem Terra. E quem fez essa observação foi o responsável pelo levantamento, o economista da FAO Kostas Stamoulis.
O crescimento da fome no mundo, potencializado pelo aumento dos preços dos alimentos, coloca como prioridade para a existência humana a reflexão sobre o atual modelo de desenvolvimento para o campo.
Em agosto deste ano, o relator especial da ONU para o Direito à Alimentação, Olivier de Schutter, afirmou que estudos recentes apontam a produção de agrocombustível dos EUA e da União Européia - feito a partir de grãos - como sendo a principal causa da crise mundial dos alimentos. O professor belga afirmou ainda que será necessário designar um monitor internacional para supervisionar a produção de fontes alternativas de energia como o etanol.
Segundo o especialista, a produção de agrocombustível aumentou a especulação no setor agropecuário e na área de commodities, e desviou o foco da produção. Até mesmo o FMI (Fundo Monetário Internacional) afirmou que 70% do aumento do preço dos grãos foi causado pelos agrocombustíveis, sendo os maiores afetados o milho e a soja. A instituição ainda apresenta um dado assustador: um aumento de 1 ponto percentual no preço de alimentos provoca um aumento de 16 milhões de pessoas que sofrem de subnutrição.
Tudo isso mostra que no Brasil o incentivo ao aumento da produção de etanol também deve causar graves problemas, já que aqui a ordem também é apostar cegamente nos agrocombustíveis. No estado de São Paulo, por exemplo, a cana-de-açúcar destinada à produção de etanol já ocupa 70% de todas as terras agriculturáveis, substituindo alimentos como o feijão.
Reforma Agrária: mais atual que nunca
Uma reflexão sobre o atual modelo de desenvolvimento para o campo passa necessariamente pela discussão sobre a atualidade da luta pela Reforma Agrária, que hoje, mais do que nunca, mostra sua importância e urgência.
Remando contra a maré, recentemente também a FAO admitiu a necessidade de investir na agricultura familiar. Segundo a organização, US$ 30 bilhões terão de ser investidos por ano para dobrar a produção de alimentos, ajudar os pequenos produtores, tornar alimentos acessíveis e reduzir a fome.
No Brasil, a agricultura familiar é a principal responsável pela produção de alimentos. Daquilo que chega à mesa dos brasileiros, mais de 60% vem da agricultura familiar. Ela produz 78% do feijão, 84% da mandioca, 58% dos suínos, 54% da bovinocultura do leite, 54% do milho, 60% do trigo e 40% de aves e ovos. Na produção de carne bovina, a pequena propriedade rural contribui com 62,3%; a média, com 26,4%; a grande propriedade, com 11,2%. A produção leiteira depende da pecuária familiar em 71,5%. O latifúndio produz apenas 1,9%. As médias respondem por 26,6%.
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
500 acessos

O blog chega hoje aos seus 500 acessos! Muito obrigada a tod@s que de uma forma ou de outra contribuiram com a divulgação e com as postagens! Espero que este blog possa ter contribuido na formação crítica dos internautas. Fica a citação do companheiro Che para que possa ser base da construção dos nossos cidadãos.
Saudações Socialistas,
Tiago Sandes
sábado, 13 de setembro de 2008
Estudantes têm aula de campo em região nativa de mata atlântica
Estudantes do Colégio Cenecista Santana – CNEC, da cidade de Santana do Ipanema, participaram neste sábado, dia 13 de Setembro, de uma aula de campo orientados pela coordenadora pedagógica Paulyne Ferreira e pelos professores Tiago Sandes e Rosimerse, Geografia e Sociologia, respectivamente. O estudo in loco contou com mais de 30 estudantes da 1ª série do ensino médio. A aula foi iniciada no próprio município com a análise da localização geográfica e os aspectos socioeconômicos da macro-região do sertão.
O foco da área de estudo foi à cidade de Palmeira dos Índios que está situada na região agreste do Estado de Alagoas a 133 km da capital, Maceió. O município tem uma altitude de 342m e coordenadas geográficas de 9º24’25,2” de latitude sul e 36º37’40,8” de longitude oeste e está inserida na unidade geoambiental do Planalto da Borborema, formada por maciços e outeiros altos, com altitude que varia entre 600 e 1000 metros aproximadamente. Outra boa parte de sua área esta inserida na unidade da Depressão Sertaneja onde se localiza as mesmas características da região de Quebrangulo. O município é cortado por rios perenes, vegetação caducifóliada e o clima é tropical chuvoso, típico da região agreste. A formação do Planalto da Borborema como barreira geográfica na formação da região semi-árida foi o segundo ponto de estudo no decorrer do percurso.
A terceira etapa da aula concentrou-se na abordagem historiográfica da Mata da Cafurna que compõe os 12% da área remanescente de mata atlântica no Brasil e a constituição sociológica da etnia xucuru-kariri. À chegada a aldeia indígena se deu por meio de trilha ecológica e foi a todo o momento acompanhado pelo Pajé Leonir Tibiriçá.
O objetivo deste estudo foi proporcionar aulas práticas de conhecimento sobre os aspectos físicos, históricos e sociológicos na transformação da paisagem através da ocupação do solo e na constituição das lutas dos povos brasileiros.
Os estudantes irão produzir relatórios que deverá enfocar os aspectos físicos da região utilizada como fonte de estudo além de uma abordagem sobre os diferentes aspectos morfoclimáticos identificados no deslocamento. O relatório será arquivado na escola como fonte de pesquisa.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
PT mobiliza militância em defesa de reserva indígena

Diretórios, parlamentares e militantes petistas de todo o país estão orientados a se engajarem na campanha em defesa da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, cuja homologação está sendo questionada judicialmente.
Orientação nesse sentido foi dada pelo presidente nacional do PT, em carta divulgada no dia 6 de Agosto e que também é assinada pelos secretários de Mobilização e Movimentos Populares do PT, respectivamente Marinete Merss e Renato Simões.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Fartura para o agronegócio e migalhas para agricultura familiar

O Ministério da Agricultura anunciou os dados totais dos recursos aplicados na agricultura durante as safras de 2006/07 e na última safra 2007/08, cuja colheita terminou em maio 2008. Dados do Banco Central (Bancn) BNDES, BB, BNB, BASA, Sistema Sicredi, evidenciam que o montante destinado ao agronegócio é imensamente superior ao destinado à agricultura familiar.
Durante a safra de 2006/07 apenas 13,72% dos investimentos e custeios da produção agrícola foram destinados à agricultura familiar. Na safra de 2007/08, a porcentagem é ainda menor, apenas 10,95%.
Contabilidade preocupante. Isso porque a gricultura familiar é a principal responsável pela produção de alimentos. Daquilo que chega à mesa dos brasileiros, mais de 60% vêm da agricultura familiar. Ela produz quase 70% do feijão, 84% da mandioca, 58% dos suínos, 54% da bovinocultura do leite, 49% do milho, e 40% de aves e ovos. Na produção de carne bovina, a pequena propriedade rural contribui com 62,3%; a média, com 26,4%; a grande propriedade, com 11,2%. A produção leiteira depende da pecuária familiar em 71,5%. O latifúndio produz apenas 1,9%. As médias respondem por 26,6%.
Além disso, segundo o IBGE, das 4,9 milhões de propriedades rurais existentes no país, 4,1 milhões dependem da mão-de-obra familiar, responsável por 38% da produção agropecuária do país. O campo emprega 17,9 milhões de pessoas.
Propriedades de até 50 hectare absorvem 86% dos trabalhadores rurais. De cada 10 trabalhadores rurais, oito estão na produção familiar. A média propriedade absorve 10,2% e o latifúndio, 2,5%.
Com base nos dados do Bancn, o jornal Valor Econômico consolidou os seguintes totais.
VALORES EM BILHÕES DE REAIS - AGRICULTURA PATRONAL/agronegócio
domingo, 24 de agosto de 2008
Doha e o agronegócio
“Se há uma saída sustentável e que impacta menos o Planeta frente às mudanças radicais que estamos enfrentando do ponto de vista ambiental, essa saída é a agricultura familiar. Nesse sentido, o agronegócio é conservador, predatório, não resolvendo o problema da fome, porque virou commoditie, ou seja, produto de aposta em mercado futuro; em suma, é um dos elementos que está gerando a crise dos alimentos no mundo.” A opinião é da antropóloga Iara Pietricovsky de Oliveira, mestre em Ciência Política, pela Universidade de Brasília (UnB), e membro do Colegiado de Gestão do Instituto de Estudos Sócio-Econômicos (Inesc) do Brasil, em entrevista concedida por telefone à IHU On-Line.
Ao avaliar a Rodada Doha, Iara considera a proposta do acordo ruim para os trabalhadores brasileiros. Para ela, “os únicos beneficiários serão aqueles que já são beneficiários pelo sistema internacional de comércio, aqueles que estão atuando de forma predatória”. E dispara: “Foi um sucesso o fato de não ter havido acordo nessa Rodada”.
Confira a entrevista.
Por que se posicionar contra a Rodada Doha?
Porque a Rodada Doha deveria ter sido uma rodada de debates sobre o tema do desenvolvimento, ou seja, um encontro para equalizar e resolver o problema dos países que têm altos índices de pobreza e desigualdade. Estas questões deveriam ter sido consideradas para resolver, por meio do comércio, o tema do desenvolvimento. No entanto, ela tem sido uma rodada de negociações da União Européia, do Japão e dos Estados Unidos, no sentido de ganhar mercado e manter privilégios, em contrapartida à abertura total dos mercados dos países em desenvolvimento, sem garantias de que sejam realizadas políticas capazes de promover o desenvolvimento e resolvam os problemas da desigualdade. É por isso que olhamos criticamente a Rodada Doha.
Nesta reunião, o governo brasileiro, que se identifica com a esquerda, tratou de assuntos que envolviam principalmente os interesses do agronegócio brasileiro. Que caminho o Brasil está trilhando com sua política internacional?
Eu não classificaria o governo como de esquerda ou de direita, porque no jogo internacional existem interesses nacionais que estão sendo debatidos numa arena onde ninguém é generoso ou espera atitudes mais ou menos flexíveis da parte de ninguém. O que se espera é que se construam regras eqüitativas que mostrem que naquela arena multilateral os países tenham o mesmo poder de barganha ou aqueles que não têm sejam preservados ou salvaguardados desse desequilíbrio interno. A posição do governo brasileiro, nesse sentido, foi acertada, pois eles estavam querendo apostar numa instância multilateral maior, onde se pode exigir maior equilíbrio entre os diferentes países do que apostar em negociações bilaterais ou regionais e sub-regionais e onde o poder de barganha dos países em desenvolvimento é bem menor.
Nesse sentido, se olharmos do ponto de vista do marco dos interesses internacionais, das regras comerciais, do sistema capitalista internacional, o governo brasileiro está jogando corretamente. Não há nada de esquerda nisso. Vejo um olhar bastante pragmático em relação às negociações de comércio. O que há de abertura em relação ao desenvolvimento do Mercosul é a relação com os países da África, com a China e com a Índia. Essa é a novidade importante neste marco do comércio internacional e tem sido líder desse processo. O Brasil vem jogando, depois de muitas décadas, sem ter uma política externa definida, clara e transparente. Pelo menos, nosso governo tem uma política externa bastante clara. Mas é evidente que esse governo defende um interesse que não é do povo, mas sim do agrocomércio e da indústria, que não têm interesses de sustentabilidade ambiental, de geração de emprego, com respeito à dignidade de empregos no âmbito nacional. O cenário é bem complexo. O que fica evidente é que o governo brasileiro tenta se mover de forma mais coerente e explícita possível.
Iara, mas investir no agronegócio hoje não é um tanto retrógrado?
O agronegócio é um grande problema. Nós temos, no Brasil, duas grandes linhas de exploração rural: o agronegócio e a agricultura familiar. A segunda linha deveria ser muito mais valorizada pelo governo. É ela quem resolve o problema de emprego e alimentação do planeta inteiro. Essa é a defesa da China e da Índia e por isso essa Rodada não chegou aonde o Brasil queria. Se há uma saída sustentável e que impacta menos o Planeta frente às mudanças radicais que estamos enfrentando do ponto de vista ambiental, essa saída é a agricultura familiar. Nesse sentido, o agronegócio é conservador, predatório, não resolvendo o problema da fome porque virou commoditie, ou seja, produto de aposta em mercado futuro; em suma, é um dos elementos que está gerando a crise dos alimentos no mundo.
O que está em jogo em Doha é a continuação da divisão internacional do trabalho?
Também. Se pensarmos que a OMC (Organização Mundial de Comércio) hoje, do ponto de vista do mapa das instituições internacionais, é uma das mais importantes organizações, onde o poder está sendo efetivamente disputado no âmbito internacional, não podemos esquecer que a questão do trabalho está colocada dentro desta discussão. Tanto que sindicatos do mundo inteiro estão antenados, olhando para a Rodada Doha com uma atenção especial. No entanto, em Genebra, os grandes sindicatos e articulações sindicais européias, latino-americanas e africanas estavam acompanhando, pressionando seus governos, para que o acordo não fosse feito “a toque de caixa”, para que não se aceitasse qualquer coisa que viesse de parte da União Européia, Japão e Estados Unidos. E foi o que aconteceu.
Se olharmos Doha a partir dos interesses do povo brasileiro, as negociações resultaram num sucesso...
Eu defendo que é melhor não ter acordo do que ter um mau acordo. Como vimos, esse acordo é mau para os trabalhadores brasileiros. Os únicos beneficiários serão aqueles que já são beneficiários pelo sistema internacional de comércio, aqueles que estão atuando de forma predatória. Do meu ponto de vista, foi um sucesso o fato de não ter havido acordo nessa Rodada.
A China passa a assumir um papel de potência a partir das resoluções de Doha?
O importante agora, com a falência na conversação de Genebra, é que ficou evidente que o mapa do poder no da conversação em Genebra. Precisamos considerar que ainda há, nessa falência, um papel importamundo mudou definitivamente. A China e a Índia começaram a jogar o papel frente aos países e as corporações que vem defendendo seus interesses na OMC. Há agora novos atores políticos emergentes que estão disputando esse espaço de poder. A China tem papel fundamental nesse processo. Um bilhão e quase 400 milhões de pessoas num país alicerçado em uma forma política organizada e com capacidade técnica de se inserir no debate do comércio. E a Índia está no mesmo caminho. Foram esses dois países que produziram a falência da conversação em Genebra. Precisamos considerar que ainda há, nessa falência, um papel importante de países como Venezuela, Bolívia, Cuba e Nicarágua. Apesar de serem pequenos atores no comércio internacional, eles amplificam e ecoam a crítica.
A Rodada Doha mostrou que ainda há grande discrepância entre países desenvolvidos e em desenvolvimento?
Exatamente. Discrepâncias abissais e cada vez maiores, porque o poder já não é tão translúcido e explícito, exercitado pelos Estados Unidos e Europa. A Rodada do Uruguai [1] deixou clara a capacidade dos Estados Unidos e Europa se imporem diante do mundo. Agora não. O jogo está um pouco mais complexo. O xadrez agora não tem apenas dois níveis. Não é fácil colocar em harmonia, se é que é possível ter harmonia, ao tentar equalizar os interesses de 153 países que estão ligados à OMC.
A Rodada Doha ainda não acabou, só está em estado de espera...
Evidentemente que outras negociações irão acontecer paralelamente. Os debates continuarão e ninguém vai levantar o dedo para propor a falência total da Rodada Doha, lamentavelmente. Então, o que deve acontecer é que, em setembro, os países voltam a se encontrar e organizar as agendas de forma extensiva, porque vamos ter eleições nos Estados Unidos. Se Obama [2] ganhar, teremos uma mudança substancial na posição estadunidense dentro da OMC e só vão conseguir reativar os processos e articular todas as dificuldades que ficaram penduradas agora em Genebra a partir do ano que vem. Ou seja, temos um ou dois anos seguramente de conversação, porque também é imprescindível ter uma instância multilateral que regule e organize o comércio internacional. Do contrário, entraremos numa barbárie.
Notas:
[1] A Rodada do Uruguai foi iniciada em setembro de 1986 e durou até abril de 1994. Baseada no encontro ministerial de Genebra do GATT (1982), foi lançada em Punta del Este, no Uruguai, seguido por negociações em Montreal, Genebra, Bruxelas, Washington e Tóquio. A rodada transformou o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (conhecido como GATT) na Organização Mundial do Comércio (OMC). Uma das principais metas da Rodada do Uruguai foi a de reduzir os subsídios agrícolas. Houve muita discordância entre União Européia e Estados Unidos, que foi apoiado pelo Grupo de Cairns, composto por catorze países. Entre eles estavam Argentina, Austrália e Brasil.
O ciclo destruidor da commodity etanol

O interesse comum para que o etanol possa ser comercializado como uma commodity - produtos primários negociados no mercado internacional pela bolsa de valores- vem sendo discutido entre o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, e o subsecretário de Energia dos Estados Unidos, Jeffrey Kupfer.
Em reunião com Kupfer no dia 5 de agosto, Lobão lembrou que, assim como o Brasil, os Estados Unidos pretendem manter uma política cada vez mais intensa na produção de biocombustíveis.
Os norte-americanos deverão produzir cerca de 34 bilhões de litros de etanol a base de milho este ano. Já a produção brasileira deve chegar a 23 bilhões de litros, extraídos de cana-de-açúcar. Kupfer ressaltou que os dois países têm interesse em tornar o etanol uma commodity. No entanto, o subsecretário não sinalizou a possibilidade de o governo americano reduzir ou eliminar as tarifas para importação do etanol brasileiro.
Os esforços para tornar o etanol uma commodity trarão grandes benefícios para os empresários do ramo. Isso porque a medida impulsiona um imenso e lucrativo mercado: o da retificação, padronização e certificação. Algo muito parecido com o que compreende hoje o mercado das refinarias de petróleo.
Como explica o engenheiro agrônomo Horácio Martins de Carvalho, “para o etanol ser incorporado como mistura no combustível dos diversos países do globo, é preciso que esteja padronizado”, explica.
Bom para poucos. Péssimo para muitos. Horácio Martins aponta que comercialização do etanol como commodity irá exacerbar ainda mais os problemas relacionados à atual estrutura agrária brasileira como a pobreza no campo, a concentração da propriedade, a produção de alimentos e os crimes contra os direitos humanos e trabalhistas.
A intenção é permitir que o etanol seja um produto negociável na Bolsa de Futuros. “Mas para isso, é preciso expandir ainda mais a monocultura da cana, pois o Brasil não pode dizer que vai ofertar 20 milhões de litros em dois anos e não produzir isso. O problema do mercado de futuros é exatamente este: não se pode romper com ele. Nossa estrutura agrária acaba sendo refém desse mercado, como já acontece com a soja, a pecuária, o cacau e outros”, pondera o engenheiro.
Dessa forma, o impacto no preço da terra será grande, pois como explica Horácio, o campo tenderá cada vez mais a ser usado para as plantações de maior rentabilidade, ou seja, as destinadas à exportação, afetando as produções para consumo interno. “Pro capitalismo tanto faz. Ele não está preocupado . Para ele se falta feijão no Brasil, importa-se da África. Até mesmo porque a produção de alimentos no mundo já está concentrada nas mãos de grandes grupos empresariais que produzem em várias partes do mundo. Ou seja, eles importam e eles vendem”, explica.
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Professores se mobilizam por todo país para defender lei que criou piso nacional

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) está mobilizando professores de todo o país em defesa da lei que criou do piso nacional da categoria. Elaborada pelo governo Lula e aprovada no Congresso, a lei vem sofrendo ataques do Consed (Conselho Nacional dos Secretários de Educação), que ameaça entrar na Justiça para que Estados e municípios não sejam obrigados a cumpri-la.
Além do piso de R$ 950, a nova legislação prevê que 33% do tempo de trabalho do professor sejam reservados à chamada hora-atividade (para preparação de aulas, correção de provas, desenvolvimento de projetos etc.).
Segundo o presidente da CNTE, Roberto Franklin de Leão, a campanha de mobilização já tem uma série de atividades programadas, entre elas um Dia Nacional de Paralisação previsto para 16 de setembro, todas com o apoio e o engajamento da CUT (Central Única dos Trabalhadores).
A Confederação também está estimulando os professores a promover encontros nas câmaras municipais, nas assembléias legislativas, nas prefeituras e junto aos candidatos a prefeito nas eleições deste ano. “Vamos fazer um esforço para que todos assinem uma carta-compromisso pela implantação da lei”, adiantou Leão.
Ele acredita num forte engajamento da categoria na mobilização, que deve se estender pelos próximos meses. “Existe um sentimento muito grande de repulsa em relação à campanha que o Consed vem fazendo”, avalia.
Leão identifica os governos de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul como principais articuladores dos ataques à lei. Todos são governados pelo PSDB, o que, segundo ele, “não é coincidência”.
“Na verdade, o posicionamento deles (dos tucanos) reflete uma opção política pela educação de baixo custo, e, portanto, de baixa qualidade, para a população mais pobre, que depende da escola pública. Eles atacam porque querem continuar praticando essa política nefasta para a educação”, acusa o dirigente.
Fim do imposto sindical fortalece sindicatos autênticos

Na véspera da divulgação do projeto de lei que extingue o imposto sindical e cria a contribuição negocial, o presidente da CUT, Artur Henrique, comentou, em entrevista publicada pelo portal da Central (www.cut.org.br) aspectos da batalha que se iniciará no Congresso Nacional e falou sobre o novo cenário que vai surgir.
Artur reafirmou a posição da CUT de reivindicar o envio do PL, mesmo que se outras centrais recuarem do acordo que assinaram. Amanhã, às 10h, acontece reunião no Ministério do Trabalho para tratar do tema. Leia abaixo:
Afinal, o imposto sindical vai mesmo acabar? Houve polêmica com outras centrais na semana passada...
Nossa posição continua a mesma. Queremos o fim do imposto sindical e das taxas confederativa e assistencial – e outras que entidades possam ter criado por aí –, tanto para as entidades que representam os trabalhadores quanto para as entidades patronais. Defendemos a criação de uma contribuição democrática, aprovada em assembléia ampla e previamente divulgada nas bases, condicionada à negociação coletiva. É o que chamamos de contribuição negocial, ou contribuição negociação coletiva. O que houve na semana passada é que a grande imprensa divulgou o acordo pelo fim do imposto, assinado pelos presidentes das seis centrais, com reprodução das assinaturas e tudo, e no dia seguinte alguns dirigentes disseram que não é bem assim, que assinar acordo não significa concordar com os termos do acordo, enfim, acabaram manifestando que, no fundo, esperavam empurrar o acordo com a barriga até que o assunto fosse esquecido.
Há essa possibilidade? Como a CUT vai garantir sua posição?
Amanhã, segundo o cronograma acordado com o governo e também com as outras centrais, o projeto de lei que extingue o imposto e cria a contribuição negocial virá à público e deverá ser enviado ao Congresso. Pelo que já vimos, outras centrais vão querer roer a corda. Então, nossa posição será: o governo federal tem a prerrogativa de encaminhar o PL, então que o faça. Acordo é para ser cumprido, e o ônus de quebra deve ser claramente imputado aos que assinam ‘para inglês ver’. Depois, a disputa será no Congresso Nacional, no convencimento de deputados e senadores. Será uma briga intensa. Quero destacar que essa luta pelo fim do imposto faz parte de uma campanha mais ampla, que é pela aprovação da Convenção 87 da OIT no Brasil, que estabelece autonomia e liberdade sindical amplas. Com a 87, conquistaremos a estrutura sindical que queremos.
O imposto sindical ainda é fonte de sustentação de muitas entidades, incluindo cutistas. Qual o risco de acabar com ele?
Quando foi criado, em 1947, o imposto tinha um papel diferente do que tem hoje. As entidades sindicais eram incipientes, a CLT mal havia sido implementada. Então, tinha de haver alguma forma de sustentação. Mas com o passar dos anos, o imposto passou a ser um dos principais pilares da acomodação dos sindicatos, pois é muito difícil que uma entidade com recursos garantidos, em quaisquer circunstâncias, se empenhe em fazer ação sindical autêntica. O imposto vigorou inclusive durante períodos ditatoriais, em que os governos não tinham nenhum interesse na organização dos trabalhadores, então a acomodação e o atrelamento eram um bom negócio para quem não gostava da democracia. Foi nesse contexto em que a CUT foi criada em 1983, com a aprovação de resoluções pela revogação do título 5 da CLT e a abolição de todas as formas impostas de sustentação financeira, sendo a assembléia de trabalhadores soberana para decidir como arrecadar fundos. Chegamos agora num momento crucial, quando podemos concretizar essa bandeira.
A sobrevivência dos sindicatos ficará ameaçada?
Os sindicatos que nada fazem para suas categorias, que não vão aos locais de trabalho e só arrecadam o imposto, têm mais que acabar mesmo. Sindicatos autênticos, mas ainda dependentes do imposto, terão de se adaptar à nova realidade. O fato é que, com a vinculação da contribuição negocial à existência de ação sindical autêntica, combativa, e de sua aprovação à realização de assembléias, teremos no médio prazo um maior envolvimento dos trabalhadores de base nas atividades de seus sindicatos e o aprofundamento do poder dos sindicatos verdadeiramente representativos, e não o contrário. Quero dizer a nossas entidades filiadas à CUT que enfrentaremos a transição juntos, e dessa forma nos fortaleceremos.
Uma das coisas que a imprensa tem dito é que a negocial pode causar descontos ainda maiores aos trabalhadores.
Essa tática de parte da imprensa para tentar confundir a opinião pública era esperada. O argumento deles é o seguinte: hoje, o imposto equivale a um dia de trabalho por ano do trabalhador assalariado. A contribuição negocial, ainda segundo essa visão, poderá chegar a 1% sobre a remuneração anual desse mesmo trabalhador, ou seja, estaríamos assim preparando uma ‘pegadinha’. É um raciocínio astuto, porém raso, falso. Primeiro porque ignora que, de uma só tacada, milhares, talvez milhões de trabalhadores vão deixar de pagar o imposto com a saída de cena de sindicatos de fachada. Depois, ignora que as assembléias que discutirão a taxa negocial poderão não aprová-la, ou seja, naquela categoria não haverá desconto algum naquele ano. E também finge desconhecer o valor fundamental da democracia, em que todas as categorias poderão, finalmente, dar ou não aval à ação do sindicato que as representa.
Com a Convenção 87 ratificada no Brasil, este princípio democrático será ainda mais radical: se os trabalhadores da base estiverem insatisfeitos com o sindicato, poderão até mesmo criar outro, com concepções diferentes. As cúpulas sindicais perderão poder se não se guiarem pela vontade das bases.
